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O Irã é uma Polônia, e não uma União Soviética, para os EUA

gustavochacra

09 de janeiro de 2012 | 12h49

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Eleições nos EUA 2012

O Irã pode ser uma União Soviética para a Arábia Saudita. Mas certamente não tem o mesmo peso de Moscou nos tempos da Guerra Fria para os Estados Unidos, Europa e mesmo Israel. Dizer que Teerã é o maior problema americano, como fazem quatro dos seis candidatos republicanos (Ron Paul e Jon Huntsman não concordam com eles) é errado e exagerado.

De acordo com a CIA, o Irã tem a 20 maior economia do mundo, posicionado entre a Polônia e Taiwan. O PIB é pouco mais de um terço do tamanho do brasileiro. A dependência do petróleo, segundo o próprio governo americano, cresce cada vez mais. E os iranianos sequer tem a capacidade de refinar gasolina para atender a demanda local.

A renda per capita do Irã é a 104, entre a República Dominicana e a África do Sul. A taxa de desemprego atingiu quase 15%. Lembrem que Barack Obama luta contra um índice de 8,5%, conforme escrevi ontem aqui no blog. A inflação também está em dois dígitos.

O gasto militar do governo iraniano é de 2,5% do PIB, o 60 do mundo. Como comparação, os vizinhos Omã, Qatar e Arábia Saudita gastam mais de 10%. Em seguida, vem outros países do Oriente Médio – Iraque e Jordânia (8,6% cada um) e Israel (7,3%). Até agora, Teerã luta para enriquecer urânio a 20%. Esta taxa é permitida pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear – mas, obviamente, uma hora ou outra os iranianos adquirirão esta capacidade.

Os israelenses possuem centenas de ogivas nucleares capazes de destruir todas as maiores cidades do Irã em alguns minutos. Os americanos também podem fazer o mesmo em ainda menos tempo. O candidato Ron Paul exemplificou bem o risco de Teerã para os EUA – “Eles não tem meio de transporte e gasolina para chegar até aqui”.

Enquanto isso, a China, seguida pela Índia, é o principal parceiro comercial do Irã. Em vez de puxar o saco dos reis da Arábia Saudita e do Qatar, eles aproveitam as sanções impostas pelo Ocidente para comprar petróleo ainda mais barato dos iranianos, que, aliás, estão mais próximos de suas fronteiras.

Mas indianos e chineses, assim como a Turquia, parecem entender mais de geopolítica e sabem que o Irã é uma ameaça apenas para o Qatar e a Arábia Saudita. E estes fazem Washington, Paris, Londres e Israel pressionar Teerã, que nada mais é do que uma Polônia na Antiga Pérsia.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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