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O Islã moderado anunciou uma guerra ideológica contra o ISIS?

gustavochacra

23 de fevereiro de 2015 | 17h45

Desde o 11 de Setembro, e mesmo antes daqueles atentados, organizações islâmicas ao redor do mundo têm condenado o terrorismo. A maior parte dos países de maioria islâmica também. Estas iniciativas se intensificaram ao longo dos anos, especialmente com estas ações terroristas atingindo cada vez mais o mundo islâmico.

Nos últimos dias, porém, um novo patamar começou a ser alcançado. A cena dos muçulmanos abraçando uma sinagoga na Noruega para protegê-la do terrorismo foi simbolicamente uma das imagens mais importantes para mostrar como os terroristas que agem em nome do Islã e os islamofóbicos, que condenam o islamismo por tudo, estão errados.

Sem dúvida, o radicalismo violento cresceu entre os muçulmanos nas últimas décadas. Nenhum sunita havia cometido um atentado terrorista suicida até o fim dos anos 1980, que, aliás, foi a década com os primeiros atentados cometidos por xiitas, hoje bem mais raros. A Al Qaeda, o Taleban e o Hamas não existiam 1985. O Boko Haram não existia em 2001. O ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, surgiu há menos de dois anos. Não havia terrorismo na Síria ou na Líbia até 2011.

Para combater este aumento no radicalismo, autoridades islâmicas estão em Mecca, na Arábia Saudita. E o principal clérigo islâmico do Egito, o xeque Ahmed al Teyeb, imã chefe da Al Azhar, maior instituição de ensino do islamismo do maior país árabe do mundo, disse ser necessária uma reforma religiosa para combater os ensinamentos dos extremistas. A iniciativa é histórica.

A história de Choque de Civilizações não se aplica ao momento que vivemos no mundo. Não existe guerra do Ocidente contra o Islã – absolutamente todos os países de maioria islâmica do mundo condenam o ISIS e a Al Qaeda, embora braços de regimes do Golfo (ironicamente, os maiores aliados do Ocidente) tenham sim apoiado em alguns momentos estas organizações, mas não atualmente. O inimigo é o terrorismo em nome do Islã, não o islamismo.

Dizer que há uma guerra do Ocidente contra o Islã ou do Islã contra o Ocidente apenas serve aos objetivos de radicais dos dois lados.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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