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O lado muçulmano de Beirute

gustavochacra

18 de setembro de 2008 | 13h31

No post anterior, escrevi que Beirute quer paz. E é verdade. Mas, ao mesmo tempo, esta cidade continua dividida. O leste ainda é cristão, o oeste majoritariamente sunita e o sul, xiita. Isso influencia muito o estilo de vida de cada lugar. Especialmente durante o Ramadã (mês sagrado para o islã). Meu hotel fica em Hamra, uma zona mista, mas ainda assim de maioria muçulmana sunita. Agora à tarde, fui a uma café e só havia estrangeiros. Alguns restaurantes não abrem as portas. Chega a dar um pouco de culpa comer enquanto há tanta gente jejuando.

No ano passado, fiquei em Ashrafyeh, no lado cristão. É como se não existisse Ramadã naquele bairro. Aliás, não existe. Restaurantes lotados, pessoas bebendo e o trânsito não é tão caótico ao redor das 6h da tarde. No lado muçulmano, quando começa a anoitecer, as pessoas berram e o barulho das buzinas se torna infernal. Tudo para as pessoas poderem chegar a suas casas e restaurantes na hora do Iftar (desjejum), que começa quando o sol se põe.

Mais, tarde, lá pelas 9h da noite, os muçulmanos vão caminhar no Corniche, como é conhecido o calçadão na beira do mar. Levam cadeiras, narguilés e preparam café ali mesmo. Alguns jovens entram no mar, outros ficam namorando e alguns param seus carros e colocam música árabe no volume máximo para dançar.

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