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O “Momento Kodak” acabou e nem percebemos ao “curtirmos” uma foto no Facebook

gustavochacra

20 de janeiro de 2012 | 00h21

 no twitter @gugachacra

Se tiver problemas para comentar, leia texto em laranja no final

Quem nasceu até 1990 teve as primeiras cenas de sua infância registradas no que ficaram marcados como “momentos Kodak”. Não apenas nós, mas mesmo a humanidade viu uma era ser gravada para sempre na memória através das fotos tiradas quando os astronautas americanos desembarcaram na lua quatro décadas atrás.

Virou até música do Paul Simon. Cerca de 80 filmes vencedores do Oscar usaram produtos da Kodak. Com a primeira câmera tendo sido fabricada por George Eastman, em 1888, a Kodak por quase um século simbolizou o futuro e a inovação. A câmera digital foi criada pela primeira vez em 1975 pela própria empresa, mas chegaria ao mercado, por meio de suas concorrentes cerca de duas décadas mais tarde.

Hoje, quase ninguém revela mais fotos. Tiramos e baixamos diretamente no Facebook ou no Instagram, onde através de filtros as deixamos como de profissionais. Em vez de termos apenas uma foto de quando tínhamos dois anos perdida em alguma álbum na casa de nossas mães, vemos uma nova geração de filhos e sobrinhos terem centenas de imagens disponíveis na internet, registrando cada segundo de suas vidas. O “momento Kodak” se tornou infinito nos nossos computadores.

Aos poucos, deixamos de lado os filmes das máquinas e passamos para as digitais. Foi rápido, nem percebemos. A Kodak deixou de ser o futuro e se tornou um passado no nosso presente.

As digitais foram inventadas justamente pela Kodak. Porém a empresa não queria canibalizar o seu próprio mercado de filmes e revelação. Seria, na avaliação dos executivos na época, um suicídio.

Mas, obviamente, outras concorrentes entraram no mercado digital e, quando a Kodak acordou, era tarde demais. Nos últimos anos, se agravou com as câmaras em celular. A empresa fez de tudo para se reerguer, mas não conseguiu. Agora, decretou concordata. Atualmente, documentos indicam que a empresa possui US$ 5,1bilhões em ativos e US$ 6,7 bilhões em passivos com vencimentos em setembro deste ano.

Hoje a Kodak concentra em outras áreas, como a fabricação de impressoras. Além disso, tem um catálogo de mais de 1.100 patentes que são usadas em aparelhos de gigantes da tecnologia como a Apple e a Samsung, que lideram os mercados de celulares e tablets. As duas estão sendo processadas pela empresa de Rochester, que espera faturar milhões com as ações judiciais, ajudando a sair da concordata.

A queda da Kodak foi um processo longo e era observado há anos por analistas do mercado. O valor de mercado despencou de US$ 31 bilhões para US$ 150 milhões em 15 anos. As ações, que estavam sendo negociadas por 36 centavos de dólar antes da suspensão dos negócios, valiam US$ 30 em 2004, quando já estavam em queda e ainda fazia parte do índice Dow Jones, que mede a variação dos principais papéis na Bolsa de Valores de Nova York. Também foram fechadas 13 fábricas nos EUA, onde possui 19 mil funcionários atualmente. No auge, chegou a empregar  145 mil.

Mas a concordata da Kodak demonstra o que há de melhor no capitalismo, com a destruição criativa. Uma gigante foi deixada de lado porque não inovou, e outras empresas assumiram o seu lugar.

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abs

Guga

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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