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O que acontecerá se a oposição tomar Damasco?

gustavochacra

03 de dezembro de 2012 | 14h50

Faz algum tempo que não falo da Síria. Mas vamos a um cenário. A oposição tem se fortalecido e conseguindo vitórias militares. Estas, embora importantes, ainda são insuficientes para derrubar o regime. Em Aleppo, ninguém é o vencedor. Áreas próximas à fronteira da Turquia e do Iraque passaram para as mãos dos rebeldes porque o governo optou por remover suas tropas para regiões vistas como fundamentais, incluindo Damasco.

Os opositores podem lançar uma ofensiva contra a capital. Será uma batalha longa e dificílima, assim como em agosto, quando as forças de Assad conseguiram repeli-las. É provável que o regime consiga defender mais uma vez Damasco.

Uma segunda opção seria a capital se transformar em um campo de batalha como Aleppo. Neste caso, a Síria não seria mais um Estado. O regime deixaria de existir propriamente sem Damasco. As forças de Assad, especialmente os alauítas, rumariam para o Mediterrâneo, onde a oposição é fraca. Em cidades como Tartus e Lataquia, montariam uma espécie de mini-Estado alauíta-cristão, conectado ao mundo por mar e pela fronteira com o Líbano.

Os opositores, aos poucos, começariam a lutar entre si em Damasco, Aleppo e outras partes do país, com mais milhares de mortos. Existirá no mapa o nome Síria, mas não na prática. Vilas e regiões serão controladas por diferentes facções, incluindo algumas extremistas. Em Damasco, cada bairro terá uma milícia no poder. Os EUA e seus aliados europeus tentarão seguir com o apoio aos opositores no exílio. Estes, naturalmente, não desfrutam de suporte de quem está arriscando a vida no dia a dia lutando contra o regime.

Resumindo, independentemente da queda de Assad, a guerra civil na Síria não terminará no médio prazo. É impossível saber como será no longo prazo.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios