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O que é a oposição síria?

gustavochacra

20 de abril de 2012 | 10h36

no twitter @gugachacra

O que é a oposição síria? Desvendar este grupo ajudaria a entender o futuro desta nação em guerra civil em quatro de suas 14 Províncias. Para começar a análise, precisamos fazer uma divisão entre os sírios no exílio e os que estão no território.

No primeiro caso, há lideranças religiosas e seculares com uma série de interesses distintos. Não há nada em comum entre eles a não ser o desejo de derrubar Bashar al Assad. Depois disso, será uma luta pelo poder.

Já os opositores dentro da Síria se dividem em dois grupos. Há os genuinamente defensores da democracia, independentemente de religião. Eles podem ser advogados de Damasco, estudantes de Homs ou barbeiros de Aleppo e são a favor de protestos pacíficos contra o regime.

Ao mesmo tempo, há as milícias armadas, que também podem ser separadas em duas facções. Uma delas é composta por ex-militares e cidadãos comuns que possuem o ideal apenas de derrubar Assad por meio das armas. Além deles, existem os grupos salafistas radicais que ambicionam  o estabelecimento de um Estado islâmico nos moldes da Arábia Saudita.

Hoje Assad desfruta ainda de enorme apoio popular porque sua máquina de propaganda descreve os opositores como terroristas. Isto é, seu foco está justamente nos radicais salafistas. Uma jovem liberal de Aleppo certamente prefere viver em uma ditadura secular na qual pode namorar e usar jeans justo de cabelos soltos do que em um regime extremista similar ao de Riad, onde mulheres não podem dirigir ou andar na rua sem a cabeça coberta.

Para derrotá-lo, não adianta armar mais estes opositores. Isso servirá apenas para agravar a guerra civil nas Províncias de Idlib, Hama, Homs e Daara e, talvez, expandi-la para Damasco, Aleppo e outras áreas, sem falar no risco de contaminação do conflito no Líbano e no Iraque.

A estratégia seria focar todos os esforços em mega protestos em Damasco e Aleppo. O problema é que Assad, por mais sangue que tenha derramado, ainda conta com suporte nestas cidades. Por este motivo ainda é improvável uma queda do líder sírio no curto prazo. Ele apenas cairá quando um de seus pilares ruir – minorias cristãs e alauítas, elites de Damasco e Aleppo, Forças Armadas, Irã, Rússia, Iraque e Líbano (vá lá, a Jordânia também).

Por enquanto, o termômetro “deserção de diplomatas” indica que ele está forte. Nenhum representante sírio em todo o mundo rompeu com o governo. Compare com o que aconteceu com Muamar Kadafi.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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