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O que esperar do debate entre Hillary e Trump?

gustavochacra

09 de outubro de 2016 | 11h33

O cenário para Donald Trump nesta noite é desesperador. O candidato republicano precisa ter um ótimo desempenho no debate e claramente derrotar Hillary Clinton. Caso contrário, dificilmente ele conseguirá ser eleito presidente dos EUA. Talvez, até se sinta pressionado a abandonar a candidatura.

As últimas duas semanas foram terríveis para Trump.

. Uma reportagem do New York Times descobriu que ele perdeu quase US$ 1 bilhão em 1995 e provavelmente não pagou imposto de renda nas duas décadas seguintes – o candidato republicano se recusa a mostrar sua declaração

. Perdeu o debate para Hillary Clinton, no qual disse “ser inteligente” para não pagar ou pagar pouco imposto, se mostrou insensível em temas de questões raciais e ainda deu início a uma briga com uma ex-Miss Universo que terminaria no Twitter

. Voltou a dizer que os “Central Park 5”, como são conhecidos cinco negros acusados décadas atrás de estupro e assassinato no Central Park, seriam culpados. Mas todos eles foram inocentados na Justiça por provas de DNA e receberam indenização – na época, Trump comprava páginas de jornais para atacar os jovens e se recusa a pedir desculpas.

. Emergiu um vídeo dele com declarações vulgares sobre mulheres, no qual ele diz ter tentado ter relações sexuais com mulheres casadas, fala ser viciado em beleza e chega beijando as mulheres, inclusive as pegando por suas genitais (ele usa uma expressão bem mais ofensiva). Também foram publicadas gravações dele em entrevistas para a rádio dando declarações similares.

. Perdeu o apoio de uma série de deputados, senadores e governadores republicanos em um movimento inédito na história das eleições americanas. Outros, incluindo seu candidato a vice, Mike Pence, e sua própria mulher condenaram suas declarações no vídeo. Hoje Trump não tem o apoio dos dois únicos ex-presidentes republicanos vivos (George Bush e George W. Bush) e dos dois últimos candidatos republicanos a presidente (John McCain e Mitt Romney).

. Algumas lideranças republicanas, que ainda não retiraram o apoio, como o presidente da Câmara, Paul Ryan, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, e rivais nas primárias como Marco Rubio e Ted Cruz podem retirar o apoio se a performance de Trump for ruim no debate (o governador de Ohio, John Kasich, já não o apoia).

. Cresce, entre os republicanos, a pressão para Trump deixar a disputa e abrir espaço para seu vice Mike Pence concorrer. Mas isso é improvável. Muitos devem se concentrar mesmo no objetivo de manter o Senado nas mãos dos republicanos. A Câmara não corre risco para os republicanos

. Neste momento, a probabilidade de vitória de Trump está entre 10% e 20% em sites de estatística como o FiveThirtyEight, Princeton Election e Upshot (New York Times) e nas bolsas de apostas. Na média das pesquisas, está cinco pontos percentuais atrás de Hillary. No mapa do colégio eleitoral, precisaria reverter os resultados em Ohio, Iowa, Carolina do Norte, Nevada, Florida e Colorado (ou Pensilvânia) – está atrás nestes Estados em todas nas médias de pesquisa e probabilidades neste momento.

A única estratégia para Trump neste momento seria alterar a narrativa da campanha no debate de hoje, se mostrando presidencial. Também precisa que Hillary vá mal e cometa alguma gafe. E, a partir de amanhã, Trump terá de se “normalizar”. Não será uma tarefa fácil. Aliás, é extremamente difícil.

Hillary, por sua vez, embora impopular, precisa apenas ter uma performance normal no debate de hoje no debate. A candidata democrata teve a sorte de ter como adversário Trump, um racista, sexista e xenófobo, e não um candidato republicano normal, como Kasich. Neste caso, teria mais dificuldades para ser eleita. Mas o candidato é Trump

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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