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O que o depoimento do diretor do FBI diz sobre Trump?

gustavochacra

21 de março de 2017 | 11h19

1. Sim, segundo o FBI e a NSA, Trump não falou verdade sobre grampo

O depoimento do diretor do FBI, James Comey, e do diretor da NSA (National Security Agency), almirante Mike Rogers, para a Câmara tem três pontos mais importantes

Primeiro, confirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, fez uma afirmação falsa ao dizer que seu antecessor, Barack Obama, grampeou a Trump Tower. Isso simplesmente não ocorreu e é surreal o líder mais importante do mundo ter falado esta inverdade em uma série de tweets e ainda se recusar a pedir desculpas

Em segundo lugar, o FBI investiga um possível conluio entre a campanha de Trump e a Rússia nas eleições presidenciais no ano passado. Ainda não há evidências deste conluio, mas falta muito a ser investigado. Imaginem a gritaria se a investigação fosse sobre um possível conluio entre Hillary Clinton e o Irã na campanha?

Por último, ambos afirmaram com segurança que a Rússia tentou interferir nas eleições presidenciais. Isto é um dos maiores ataques à soberania americana em décadas.

Obs. Meio surreal alguns deputados republicanos estarem mais preocupados com os vazamentos, sendo que alguns deles sabidamente vazavam informações confidenciais para jornalistas durante as investigações do ataque terrorista em Benghasi

2) Por que é inútil decisão dos EUA de proibir eletrônicos em voos?

Não faz muito sentido a decisão do governo de Donald Trump de impedir passageiros de levarem computadores, tablets e outros eletrônicos maiores do que celulares dentro da cabine do avião em voos de oito países de maioria muçulmana para os EUA – Jordânia, Egito, Turquia, Arábia Saudita, Marrocos, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. O argumento é de que estes aparelhos podem ser usados como bombas.

Primeiro, os aparelhos poderão se despachados de qualquer maneira e podem ser usados como bomba mesmo no compartimento de bagagem, de acordo com especialistas

Em segundo lugar, celulares possuem a mesma capacidade de serem usados como bombas que tablets

Terceiro, aeroportos na Arábia Saudita e Emirados Árabes possuem segurança bem superior à maior parte dos aeroportos do mundo. Verdade, o do Egito não é tão seguro. Mesmo assim, fica a pergunta – por que estes países? Por que possuem maioria islâmica?

3) Por que a visita do premiê do Iraque aos EUA é importante?

O Iraque é o maior aliado dos EUA na guerra ao terrorismo. O encontro do premiê Haider al Abadi com Trump ontem tem enorme importância porque os americanos não podem se distanciar do Iraque depois da provável vitória das forças iraquianas sobre o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh.

Primeiro, porque o ISIS poderá retornar no futuro, assim como retornou anos atrás – afinal, o grupo nada mais é do que uma derivação da Al Qaeda no Iraque, derrotada na década passada. A ajuda dos EUA na reconstrução de Mosul, Fallujah, Tikrit e Ramadi será fundamental

Em segundo lugar, porque, caso os EUA se distanciem, o Irã certamente irá preencher o vácuo de poder. Não podemos esquecer que a influência de Teerã sobre Bagdá é maior do que a de Washington.

Por último, porque Haider al Abadi, com todos os seus defeitos, é uma liderança mais confiável do que Nouri al Maliki, seu antecessor. E ano que vem tem eleições no Iraque.

4) Por que o Google permite propaganda em vídeos antissemitas?

O Google, assim como o Facebook, precisa urgentemente agir para impedir a disseminação de extremismos, como o nazismo, em suas redes sociais. Mais grave, no Youtube, o algoritmo do Google colocava propagandas de grandes empresas, sem elas saberem, em vídeos de extremistas antissemitas

5) Quer imigrar para a França?

Marine Le Pen, candidata da extrema-direita na França, quer combater não apenas o a imigração ilegal como também a legal se ela for eleita presidente. A afirmação foi feita pela própria candidata em debate presidencial.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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