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O que o líder do Hezbollah disse para o fundador do Wikileaks na TV do Kremlin

gustavochacra

18 de abril de 2012 | 17h17

A entrevista do xeque Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, para o Julian Assange, fundador do Wikileaks, para uma rede de TV patrocinada pelo Kremlin por si só já é notícia, independentemente do que venha a ser discutido.

O entrevistador é o homem que mais divulgou segredos do governo americano na história recente. O outro lidera o que Washington considera a maior organização terrorista do mundo. Para completar, a Rússia por quase cinco décadas foi o maior inimigo dos Estados Unidos.

Ao longo da entrevista, dois pontos me chamaram a atenção. Nasrallah defendeu um Estado no que hoje é Israel e Palestina incluindo judeus, muçulmanos e cristãos. Em nenhum momento ele afirmou que os israelenses deveriam sair. Neste sentido, ele seria a favor de um Estado binacional em todo o território,

Agora, e esta é uma avaliação minha com base em uma série de visitas ao Líbano, entrevistas e leitura de livros de membros do Hezbollah e também de especialistas, a organização libanesa prega sim a destruição de Israel. Nasrallah apenas sabe, melhor do que qualquer líder árabe, fazer relações públicas.

No caso da Síria, Nasrallah argumenta que Assad sempre “esteve ao lado da resistência libanesa e palestina”. Se vocês entenderem resistência como Hezbollah e Hamas, ele está correto. O líder sírio realmente apóia estas duas organizações.

O líder do Hezbollah também diz que tentou mediar um diálogo entre a oposição e Assad. Mas, segundo ele, os opositores não quiseram conversa. Não duvido que seja verdade, mas Nasrallah sabe muito bem quem está no comando do regime em Damasco. E sabe melhor ainda o fim que teve o comandante militar de sua organização, Imad Mughnyeh

Vejam a íntegra da entrevista aqui

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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