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O que quer o Hezbollah? Defender Assad, ameaçar Israel e vencer eleição no Líbano

gustavochacra

11 Outubro 2012 | 17h45

O xeque Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, sem dúvida viu sua popularidade despencar nas ruas árabes sunitas, embora ele mantenha apoio dos xiitas e, em menor escala, das minorias cristãs e alauítas. Sua organização, por outro lado, continua poderosa, capaz de provocar milhares de mortes em Israel e dominar a maior parte do território libanês em algumas horas, caso tenha vontade.

No momento, Nasrallah tem como estratégia garantir a vitória de Bashar al Assad na Síria, se preparar para uma possível guerra entre Israel e Irã, derrotar seus inimigos salafistas que crescem no Líbano e ver a sua coalizão 8 de Março, formada pelos seus aliados da AMAL e os cristãos de Michel Aoun, vencer as eleições libanesas do próximo ano.

Destas frentes, talvez, Nasrallah tenha uma derrota na Síria. Será um revés para questões logísticas. Mas, com o apoio do Irã e do Iraque, conseguirá rotas alternativas para ser suprido de armamentos. No caso de Israel, o Hezbollah quer apenas mostrar que uma ação contra as instalações nucleares iranianas pode ter conseqüências graves. O uso de drones para atingir Tel Aviv seria uma delas.

Os salafistas devem crescer em Beirute, independentemente do que faça Nasrallah. Mas demoraria décadas até atingirem o mesmo patamar militar do Hezbollah, a mais forte guerrilha do mundo. Por último, a 8 de Março, formada xiitas e cristãos, além de alguns sunitas e drusos, ainda é favorita para vencer as eleições em junho de 2013.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra