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O que são as ações terroristas “price tags”, cometidas por radicais israelenses?

gustavochacra

04 de agosto de 2015 | 11h04

Na semana passada, dois atentados terroristas cometidos por israelenses chocaram Israel e a comunidade internacional. Em um deles, um homem, recém libertado da prisão, esfaqueou seis pessoas na parada gay de Jerusalém. Uma menina de 16 anos morreu. No outro, a casa de uma família palestina foi incendiada na Cisjordânia. Um bebê morreu queimado em um ato classificado como terrorismo pelo premiê Benjamin Netanyahu.

O primeiro ataque foi aparentemente um episódio isolado de um homem com um histórico complicado. Israel é uma das nações mais tolerantes com homossexuais no mundo. Claro, sempre haverá, violência contra gays.

O segundo atentado terrorista, porém, entra no contexto dos chamados ataques “price tags”. Embora pouco conhecidas para quem não acompanha o conflito entre israelenses e palestinos, estas ações têm crescido nos últimos anos. E levantam algumas perguntas

O que são os ataques “price tags”?

São ações terroristas cometidas normalmente por colonos israelenses. Podem ser o incêndio de Igrejas, de mesquitas, de carros, destruição de plantação de oliveiras e de casas de palestinos. Muitas vezes, os ataques envolvem pichações racistas islamofóbicas, anti-árabes, anti-palestinas e anti-cristãs. Algumas vezes, mesmo propriedades judaicas e das Forças Armadas de Israel também são alvejadas. Em raros casos envolve a morte de pessoas. Neste ano, além do incêndio da casa da família palestina, uma escola bilíngue árabe-hebraica e um seminário cristão grego ortodoxo foram atacados pelos terroristas israelenses, segundo a Anti-Defamation League, principal organização em defesa dos judeus dos EUA.

Por que eles realizam estes atentados?

Estes ataques costumam ser uma resposta a ações do governo de Israel para desmantelar os “postos avançados”, como são conhecidos os assentamentos na Cisjordânia considerados ilegais inclusive pela administração israelense – não confundam com assentamento como Ariel, por exemplo, que, embora ilegais para toda a comunidade internacional, incluindo todos os governos dos EUA, são financiados por Israel. Também ocorrem atentados, em alguns casos, como reação a ações terroristas cometidas por palestinos.

 Quando começaram os atentados de price tags?

Alguns analistas afirmam que há cerca de dez anos, quando o governo de Israel desmantelou os assentamentos judaicos na Cisjordânia. Mas alguns vão mais longe e dizem que o assassinato do premiê israelense, Yitzhak Rabin, cometido por um extremista judeu contrário às negociações com os palestinos, possui características similares

O que o governo de Israel faz para combater?

Há uma unidade da polícia de Israel apenas para combater os ataques cometidos pelos terroristas israelenses. Muitos são presos e ataques são evitados. Críticos, porém, afirmam que as penas para terroristas palestinos costumam ser muito mais severas do que as para terroristas israelenses. No documentário The Gatekeeper, no qual seis ex-comandantes do Shin Bet (serviço de segurança interna de Israel) são entrevistados, alguns afirmam que os price tags são uma das principais ameaças à segurança de Israel e da Palestina.

Os terroristas israelenses do Price Tag têm apoio da população de Israel?

Não, a maior parte da população israelense condena este terrorismo e grandes manifestações já foram realizadas ao longo dos anos. Os principais líderes políticos do país também classificam como terrorismo. Mas o apoio é um pouco maior entre os colonos israelenses na Cisjordânia, que costumam ser mais radicais

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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