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O que significa a reeleição do presidente Rouhani no Irã?

gustavochacra

20 Maio 2017 | 07h41

Hassan Rouhani foi reeleito presidente do Irã ao conquistar 57% dos votos no primeiro turno. Sua vitória representa uma enorme vitória para os moderados iranianos, que buscam uma aproximação maior com o Ocidente e uma agenda mais globalista e pró-mercado. Ao mesmo tempo, a reeleição do atual presidente significa um duro golpe para as alas nacionalistas mais conservadoras iranianas, incluindo o líder supremo, aiatolá Khamanei, e as Guardas Revolucionárias, que preferiam o candidato foi derrotado era Ebraim Raisi.

Foi o atual presidente reeleito quem assinou o acordo na área nuclear com o Sexteto, composto pelos EUA, França, Reino Unido, Alemanha, Rússia e China. Donald Trump, que critica o acordo, não deve rompe-lo neste momento, segundo informou seu governo nesta semana.

Alguns podem perguntar se o Irã é democrático. Não, não é. Tem eleições para presidente, Parlamento, prefeito e outros cargos políticos civis. Mas os candidatos estão sujeitos a aprovação do Conselho dos Guardiões. O líder máximo do país, o aiatolá Khamanei, não foi escolhido pela população. Há uma série de restrições também à vida cotidiana das pessoas que não correspondem a uma nação democrática – especialmente no caso dos homossexuais, das mulheres e dos baha’ai. Já a sociedade iraniana, apesar do regime, é relativamente sofisticada culturalmente – basta ver o cinema iraniano para entender.

Ainda assim, o Irã possui muito incomparavelmente mais liberdades democráticas do que a Arábia Saudita, onde Trump estará hoje em sua primeira viagem internacional. Os sauditas não podem escolher seus líderes e são governados por monarquia absolutista que talvez seja a mais extremista religiosa do mundo.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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