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O pré-candidato republicano e anti-gay Santorum nega a existência dos palestinos

gustavochacra

05 de janeiro de 2012 | 11h17

Eleições nos EUA 2012
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Alguns políticos americanos conseguem ser mais extremistas do que os mais radicais direitistas israelenses. E, de tão ignorantes ou mal intencionados, sem querer acabam indo contra os ideais de Israel. Depois de Newt Gingrich dizer que a Palestina era uma invenção, Rick Santorum, que emergiu como o novo rival do favorito (e bem mais moderado) Mitt Romney, conseguiu superar a imbecilidade do algoz de Bill Clinton e designar todos os moradores da Cisjordânia como israelenses.

“Todas as pessoas que vivem na Cisjordânia são israelenses. Não existem palestinos. É um território israelense. A Cisjordânia é parte de Israel”.

Portanto, de acordo com o segundo colocado no cáucus republicano em Iowa e ex-senador americano, os 2,3 milhões de palestinos (ou árabes ou como queiram chamá-los) moradores deste território (ocupado, disputado, ou como queiram classificá-los) seriam israelenses.

Ao querer se mostrar ultra pró-Israel, Santorum defendeu, sem perceber, obviamente, a solução de um Estado binacional, implicando na concessão de cidadania aos palestinos. Assim, Israel correria o risco de deixar de ter uma maioria judaica.

Porém, conhecendo Santorum, na verdade ele talvez ache mesmo que não existam estas 2,3 milhões de pessoas. Ou, pior, negue a existência deles. É uma aberração uma pessoa destas ter condições de disputar a Presidência dos Estados Unidos.  Tão bizarro quanto este mesmo homem comparar relações entre homossexuais à pedofilia e ao incesto.

Para ficar claro, nem todos os republicanos são assim. Mitt Romney, Jon Huntsman e Ron Paul possuem posições bem mais moderadas e realistas do mundo. O libertário Paul, inclusive, adota uma linha de política externa bem mais pacifista do que a do Partido Democrata, incluindo Barack Obama, um dos raros líderes da história a travar três guerras ao mesmo tempo (Iraque, Afeganistão e Líbia).

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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