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O risco de a oposição síria virar um “Hamas” e a hipocrisia do Hezbollah no apoio a Assad

gustavochacra

22 Maio 2012 | 10h13

no twitter @gugachacra

Basta observar as divisões no Líbano para entender como anda o conflito na Síria. Os recentes choques em Beirute e Trípoli deixam claro que temos, de um lado, os sunitas. De outro, a favor de Bashar al Assad, as demais religiões presentes nestes países. No caso libanês, xiitas e cristãos. No caso sírio, alauítas e cristãos.

Nas ruas de Beirute, hoje, virou moda observar as pessoas barbadas e dizer que são salafistas prontos para irem lutar na Síria a favor da oposição. E é verdade. Estes grupos seqüestraram uma causa justa, de derrubar uma ditadura sanguinária. São como o Hamas. A organização palestina roubou um ideal, de ter um país, para impor suas regras e usar o terrorismo contra o adversário.

Ao mesmo tempo, o Hezbollah e seus aliados cristãos são hipócritas ao se posicionarem ao lado dos sírios. O grupo xiita libanês sempre se descreveu como “uma resistência contra a ocupação israelense”. Até 2000, sem dúvida, pois Israel ocupava ilegalmente o sul do Líbano. Mas se retirou, a não ser por Ghajar e Shebaa.

Os cristãos de Michel Aoun tem o argumento real de que correm o risco de desaparecer e, por este motivo, precisam se aliar ao antigo algoz Assad. Entendo o medo deles. Mas é um erro defender a ditadura vizinha. Apoiar a democracia e respeitar as diferenças religiosas seria a melhor alternativa. Tratem os sunitas da mesma forma que tratam os xiitas, como amigos.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios