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Obama acerta ao defender ‘guerra justa’ em discurso do Nobel da Paz

gustavochacra

10 de dezembro de 2009 | 12h42

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acertou no seu discurso para receber o Nobel de Paz que ele próprio acha que não merecia. “Temos que aceitar a dura verdade. Nós não erradicaremos os conflitos violentos durantes nossas vidas. Haverá momentos em que as nações, agindo em grupo ou individualmente, considerarão o uso da força não apenas necessário como moralmente justificável”, disse o líder americano.

Difícil não concordar com esta frase, a não ser que a pessoa seja um idealista extremista. E a Guerra do Afeganistão, há oito anos, se encaixava neste contexto. Os EUA haviam sido atacados por membros da Al Qaeda que treinaram no Afeganistão. Na época, o Taleban estava no poder. O governo de Goerge W. Bush deu um ultimato para o regime entregar os líderes da rede terrorista, incluindo Osama Bin Laden. O pedido foi rejeitado. Liderando uma coalizão e com a ajuda de forças afegãs como a Aliança do Norte, os EUA removeram do poder o Taleban, mas fracassaram na caça a Bin Laden, apesar de terem chegado perto em Tora Bora.

Hoje, os EUA não têm um objetivo claro no Afeganistão. O Taleban se fortaleceu, mas está distante do poder. E não oferece uma ameaça direta aos EUA. A Al Qaeda possui uma centena de integrantes no país. Uma fração se comparada ao número existente no Paquistão ou no Iêmen. Portanto, a guerra afegã não é necessária e tampouco justificável atualmente. Neste sentido, Bush estava correto em 2001, mas Obama se equivocou em 2009. Caso realmente considere necessária, teria obrigação de enviar tropas também para o Iêmen, que é completamente ignorado por sua administração.

O surge pode até dar certo no Afeganistão, como deu no Iraque, apesar dos mega atentados dos últimos meses. Mas o Taleban não será eliminado. Apenas como efeito de comparação e sem juízo de valor – Israel controla o espaço aéreo e marítimo de Gaza. Com a ajuda do Egito, também detém o poder sobre as fronteiras terrestres. O território é plano e minúsculo (2 mil vezes menor do que o Afeganistão). Os israelenses conhecem cada centímetro de Gaza. Possui espiões lá dentro e seu serviço de inteligência fala a língua. Mesmo assim, não foi capaz de derrotar o Hamas, apesar de ser um dos Exércitos mais avançados do mundo. Por que os EUA, sem conhecer o montanhoso território afegão, sem falar a língua, sem espiões, conseguirá derrotar o Taleban?

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