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Obama aos poucos deixa de ser presidente e vira candidato

gustavochacra

25 de janeiro de 2012 | 01h49

Eleições nos EUA 2012 

no twitter @gugachacra

 

O discurso do Estado da União de ontem parecia em alguns momentos uma repetição dos de 2010 e 2011, ou até mesmo o de posse em 2009. Pelo menos nas questões econômicas, que ainda são o principal problema dos Estados Unidos para a maioria da população.  Ao mesmo tempo, Obama começou a sua campanha para a reeleição. Ele sabe que terá uma disputa acirrada, independentemente de quem for escolhido como o seu rival nas primárias republicanas. Nunca um presidente na história recente dos Estados Unidos conseguiu permanecer no cargo com uma taxa próxima da atual, de 8,5%.

Sua narrativa é de que os EUA evitaram uma nova Grande Depressão, como nos anos 1930, e se recuperam aos poucos. Citou vitórias como o renascimento da indústria automobilística em Detroit, dada como morta em 2009. Também quis deixar claro que a taxa de desemprego disparou nos primeiros anos de seu mandato, ainda como conseqüência do ex-presidente.

Mas os republicanos estão preparados para tentar desmontar todos estes argumentos, atacando a intervenção estatal na economia e o enorme déficit. Também podem afirmar, como fez o governador de Indiana, Mitch Daniels, na resposta do Partido Republicano na noite de ontem, que Obama poderia ter feito bem mais nestes três anos para ter tirado o país na crise.

Se na economia Obama tentou provar que o resultado até agora foi positivo, na política externa ele fez questão de exibir os seus dois troféus. O primeiro foi a ação para matar Osama bin Laden. Os próprios republicanos elogiam este feito abertamente, como fez Daniels ontem. O segundo teria sido, segundo ele, a retirada das tropas do Iraque. Neste caso, um exagero. O presidente queria manter 5 mil militares no país, mas o governo iraquiano não permitiu e mandou os americanos irem embora.

O Irã, como sempre, foi ameaçado, apesar de Obama deixar aberta a porta para a diplomacia. Israel, por outro lado, foi citado como um aliado fundamental. Outros países amigos, como Inglaterra, Canadá e Colômbia, não foram mencionados. Normal, eles não são política doméstica como os israleneses e os iranianos.

Obama também celebrou a Primavera Árabe e disse que os dias de Bashar al Assad estão contados na Síria. Pode ser. Mas e os da família Al Khalifa, em Bahrain, onde os opositores também são massacrados? Bom, no momento, com os iranianos ameaçando fechar o estreito de Ormuz, a Quinta Frota da Marinha americana, baseada em Bahrain, será necessária.

Chamou a atenção o número de vezes que Obama citou a empresa Master Lock. GM e Apple tudo bem, mas Master Lock? Estranho.

E fiquem de olho em Daniels. Se Gingrich vencer na Flórida, o governador de Indidana pode ceder e entrar na eleição.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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