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Obama é favorito, mas ainda não ganhou

gustavochacra

06 de novembro de 2012 | 00h35

Eleições nos EUA 2012

O presidente Barack Obama é o favorito em uma proporção de dois para um para vencer as eleições de amanhã nos Estados Unidos, apesar de estar tecnicamente empatado com o adversário Mitt Romney nas pesquisas. A vantagem do democrata está no Colégio Eleitoral, onde seu caminho para alcançar a metade dos 538 delegados tem bem menos obstáculos do que o republicano.

Primeiro, vamos à parte das pesquisas nacionais. De acordo com a média calculada pelo site Real Clear Politics, Obama possui 48,5% das intenções de voto contra 48,1% de Romney, dentro da margem de erro. O presidente aparece à frente do rival em três dos oito principais levantamentos, com o adversário liderando em duas, além de mais dois colocando ambos literalmente com o mesmo percentual. Caso a eleição americana fosse como a brasileira, decidida pela maioria do voto da população, seria difícil indicar qual deles seria o vencedor.

Tudo seria possível, especialmente depois de o furacão ter atingido a costa nordeste americana, uma região tradicionalmente democrata. Nos EUA, porém, o presidente é eleito no Colégio Eleitoral. Ao vencer em um Estado, o candidato leva todos os seus delegados. Em muitos deles, como os mais populosos Califórnia (democrata) e Texas (republicano), o vencedor já é dado como certo pelas pesquisas.

Levando em consideração apenas estes Estados com a tendência consolidada, Obama já possui 201 delegados contra 191 de Romney, de acordo com o Real Clear Politics. O restante dos delegados pertencem aos swing states, como são apelidados os Estados sem predomínio democrata ou republicano.

Em alguns, Obama lidera com folga e parece ser improvável Romney conseguir virar o jogo. Este é o caso de Michigan, Pensilvânia, Wisconsin e New Hampshire. Se conquistá-los, Obama passaria a ter 247 delegados. Em Ohio, visto como o mais importante swing state, o presidente, na média das pesquisas, tem três pontos percentuais a mais do que Romney. Um vitória, o deixaria a apenas um Estado pequeno, como Iowa, onde lidera, da reeleição.

O caminho para Romney é bem mais complicado. O republicano está à frente na Flórida e Carolina do Norte. Com os dois, passa a ter 235, ficando longe dos 270 necessários. A expectativa dos republicanos é conquistar Estados equilibrados como a Virginia, Nevada e Colorado, embora em nenhum deles sua seja favorito neste momento, somando mais 28 e chegando a 265. Ainda assim, faltariam delegados e a via mais fácil seria reverter Ohio.

Segundo Sean West, da consultoria de risco político Eurasia, a probabilidade de vitória de Obama é de “dois para um. Na última semana, a posição dele nos swing states ficou mais forte”. Nas bolsas de apostas, o cenário é similar, com o presidente tendo dois terços de chance de vencer. Nate Silver, jornalista-estatístico do New York Times que desenvolveu uma equação com centenas de variáveis em seu blog Five-Thirty-Eigth, em alusão ao total de delegados, colocava em 86,3% a probabilidade de reeleição do democrata, contra 13,7% do republicano.

Apesar do amplo favoritismo de Obama, não podemos esquecer que, em 2000, Al Gore acabou derrotado por George W. Bush apesar de muitos, mesmo durante a apuração, o colocarem como vencedor. O ideal é esperar o resultado para saber quem foi eleito.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade ColumbiaTambém é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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