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Obama, em 4 anos, deixou de ser “rock star” e virou político normal

gustavochacra

20 de janeiro de 2013 | 15h34

Quando Obama assumiu o poder em 2008, ele foi tratado quase como um “Messias” por muitas pessoas. Era difícil, sem dúvida, responder a expectativas enormes. Até um Nobel da Paz deram para ele, de maneira bizarra, em seu primeiro ano de mandato. Hoje, ao iniciar o seu segundo mandato, o atual ocupante da Casa Branca, para quem acompanha um mínimo de política e economia americana, se transformou em um político normal, com fraquezas e qualidades.

Verdade, muitos ainda o idolatram como um rock star ou algo do gênero. Gostam de Obama porque gostam de Obama. Não há o que fazer. Para eles, o presidente ainda é uma figura da paz, incapaz de matar centenas de civis com seus Drones no Yemen, na Somália e no Paquistão, de triplicar o número de tropas no Afeganistão e de deportar 1,5 milhão de seres humanos.  Não há muito o que fazer em relação a estas pessoas. São fãs cegos do presidente.

Os demais sabem dos enormes fracassos de Obama, como na economia e na imigração, e seu relativo sucesso na área da saúde, embora ainda seja complexo afirmar que sua reforma tenha sido positiva para a população americana pois não foi inteiramente implementada.

Nestes próximos quatro anos, sempre podem ocorrer eventos inesperados, os cisnes negros, que determinarão o mandato. Uma guerra entre a China e o Japão, por exemplo, alteraria completamente o cenário internacional. Dentro do previsível, sabemos que a Argélia não o consulta para realizar uma operação envolvendo reféns americanos. A França inicia operação em Mali praticamente sem coordenar com a Casa Branca. Israel constrói assentamentos e a Palestina busca reconhecimento na ONU apesar da oposição de Washington. O regime de Bashar al Assad e a oposição síria o ignoram completamente. E ele ignora totalmente a América Latina, incluindo o México, a ponto de não ter citado a região em nenhum de seus debates e discursos de campanha. 

O combate ao terrorismo, vendido como vitória pelo assassinato contra Bin Laden, sofreu um duro revés. A Al Qaeda no Maghreb se fortaleceu depois da queda de Muamar Kadafi, que contou com o apoio de Obama. Basta ver os eventos na Argélia, na Líbia e em Mali. Na Península Arábica, Obama segue com seus assassinatos seletivos com Drones, que matam lideranças do braço da Al Qaeda na região, mas também deixam centenas de civis, incluindo crianças e mulheres, mortos. 

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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