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Obama impede acesso de NYTimes à sua política de assassinatos seletivos

gustavochacra

04 de janeiro de 2013 | 14h05

Editorial do New York Times de hoje – For years, President Obama has been stretching executive power to claim that the authorization to use military force against Al Qaeda gives him the unilateral authority to order people killed away from any battlefield without judicial oversight or public accountability — even when the target is an American citizen”

A Justiça de Nova York recusou o pedido do New York Times para ter acesso às justificativas legais para a administração de Barack Obama autorizar o uso de drones, como são chamados os aviões não tripulados, para matar o cidadão norte-americano Anwar Al Awalaki, integrante da Al Qaeda, no Iêmen em 2011.

O jornal, assim como uma série de entidades de direitos civis, argumenta que, segundo a Constituição, Awalaki, por ser americano, deveria ter sido submetido a um processo judicial antes de ser condenado a morte.

De acordo com a juíza Coleen McMahon, “as ações do governo na superfície parecem incompatíveis com a Constituição”. Mas, segundo ela, devido a alguns antecedentes, não ser possível publicar o memorando do Departamento de Justiça apoiando os ataques com Drones contra o militante da Al Qaeda.

O New York Times afirmou que irá recorrer da decisão. O jornal realizou uma série de reportagens ao longo de 2012 sobre a política de Drones usada por Obama no Iêmen e na fronteira do Paquistão e do Afeganistão. Estas ações têm obtido resultados, como ontem mesmo com a morte de um líder do Taleban. Mas, ao mesmo tempo, conforme já relatou o principal diário americano, muitos civis inocentes, incluindo crianças,  foram mortas nestas operações que são consideradas uma marca registrada do atual governo americano.

O caso de Awalaki chamou a atenção por se tratar de um americano, e não de um estrangeiro. Com inglês fluente, atraindo muitos seguidores no Ocidente, o militante da Al Qaeda foi por anos uma celebridade com seus vídeos no Youtube pregando atentados terroristas contra os EUA.  Algumas autoridades o associam a uma tentativa de atentado no Natal de 2009, quando um nigeriano tentou explodir, sem sucesso, um avião em Detroit.

O memorando do Departamento de Justiça justificando a legalidade do assassinato de Awalaky foi feito a pedido da Comissão de Inteligência do Senado, mas nunca tonado público.

Imaginem a gritaria internacional se fosse o George W. Bush, e não o Obama, que estivesse agindo para impedir o acesso a informações sobre uma política de assassinatos? Lembrando que, diferentemente do atual presidente, o anterior nunca ordenou a morte de um cidadão americano, de forma proposital, sem direito a julgamento. E foi o responsável pela prisão do mentor de 11 de Setembro, Khalid Sheikh Mohammad. Aliás, prisioneiro em Guantánamo, que não foi fechada por Obama.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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