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Obama não é o que muitos brasileiros imaginam

gustavochacra

14 de janeiro de 2013 | 14h48

Barack Obama não é o presidente que muitos imaginam, especialmente no Brasil. Abaixo, vão algumas das frases escritas neste domingo por colunistas do New York Times, um jornal simpático ao líder americano, que talvez possam surpreender muitos leitores brasileiros.

Imagino que se fossem George W. Bush ou Mitt Romney tomando estas ações haveria enorme gritaria internacional, incluindo no Brasil. Mas Obama parece poder fazer tudo que quiser e passa ileso a críticas fora dos EUA. E eu, por criticá-lo, sou atacado e dizem que sou republicano. Como sempre gosto de dizer, criticar Obama não significa apoiar os republicanos. Significa apenas criticar Obama. Abaixo, dois dos colunistas abertamente votaram nele nas eleições presidenciais e os três criticam duramente o presidente – e observem que eles não entram em questões econômicas, certamente o ponto fraco da atual administração. Falam da ligação de Obama a homofóbicos, a defensores de tortura e seu distanciamento de minorias, inclusive a negra. Deixo as aspas exatas em inglês e comento abaixo de cada item

Maureen Dowd (apoiou Obama) – “President Obama ran promoting women’s issues. But how about promoting some women?”

It’s passing strange that Obama, carried to a second term by women, blacks and Latinos, chooses to give away the plummiest Cabinet and White House jobs to white dudes.”

Basicamente, Dowd questiona a falta de nomeação de mulheres para o gabinete de Obama neste segundo mandato. Nada contra e os nomeados podem até ser competentes. Ser branco, homem, gay, mulher, hispânica é irrelevante. O importante é ser competente. Mas, se fosse Romney apenas nomeando homens brancos, o acusariam de racista e machista. Já Obama pode e continua “cool” como se fosse um personagem da série Girls vivendo no “descolado” e “hipster” bairro de Greenpoint no Brooklyn, não em um rancho no Texas como Bush

 Ross Douthat (apoiou Romney) – “But the Brennan nomination crystallizes the ways in which Obama has also cemented and expanded the Bush approach to counterterrorism. Yes, waterboarding is no longer with us, but in its place we have a far-flung drone campaign — overseen and defended by Brennan — that deals death, even to American citizens, on the say-so of the president and a secret administration “nominations” process.”

 The drone campaign that Brennan has overseen has undoubtedly weakened Al Qaeda. But it’s also killed innocents, fed anti-American sentiment and eroded the constraints on executive power in troubling ways.”

 Obama comanda um programa de assassinatos seletivos que, se fosse Bush (ou Benjamin Netanyahu em Israel), seria alvo de condenação internacional e protestos em Buenos Aires, Cairo e Madrid. Mas Obama pode tudo. Como coloca bem Douthat, a campanha de Drones sem dúvida enfraqueceu a Al Qaeda. Mas também matou inocentes.

Frank Bruni (apoiou Obama) – And not President Obama, whose recent actions have been careless at best and cavalier at worst. There was the gratuitously provocative nomination of Chuck Hagel for defense secretary, followed by the gratuitously insulting invitation of Louie Giglio, a Georgia pastor, to give the inaugural benediction. That plan was abandoned after the revelation of Giglio’s past remarks that homosexuality offends God, that homosexuals yearn to take over society and that a conversion to heterosexuality is the only answer for them. Giglio would have been the second florid homophobe in a row to stand with Obama and a Bible in front of the Capitol — Rick Warren, in January 2009, was the first — and while it appears that this double bigotry whammy wasn’t the administration’s intent, it’s an example of vetting so epically sloppy that it gives an observer serious pause about the delicacy with which Obama and his allies, no longer worried about his re-election, are operating.

 Romney não poderia nem sonhar em convidar um membro da Igreja Mórmon, alvo de enorme preconceito de supostos liberais eleitores de Obama, caso fosse eleito. Muito menos se fosse homofóbico assumido. Mas o presidente convidou um pastor anti-gay

 

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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