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Obama não gosta do Brasil?

gustavochacra

04 de setembro de 2012 | 12h34

Eleições nos EUA 2012

– No rádio Estadão/ESPN, às 18h20, comento as ELEIÇÕES AMERICANAS

– Na TV Globo News- às 20h, participo do Globo News Em Pauta. No programa de ontem, falei  PROIBIÇÃO DO NARGUILE NO LÍBANO e de CINEMA NA ARÁBIA SAUDITA 

Nesta terça-feira começa a convenção democrata. Como na republicana, uma semana atrás, quando Mitt Romney lançou oficialmente sua candidatura, mais uma vez o Brasil será ignorado. Normal, afinal mesmo países como a França e o Canadá são deixados de lado.

Mas a ausência da América Latina em todos os discursos, a não ser para falar de imigração, demonstra como o continente está distante de ser prioridade no país, não apenas entre os opositores, como para o presidente Barack Obama

Na plataforma republicana, a América Latina é citada apenas para falar de México, Cuba e Venezuela, como se este continente tivesse parado nos tempos da Guerra Fria. O restante dos países não interessa a um dos dois maiores partidos dos Estados Unidos. Aliás, justamente aquele que, em um passado recente, demonstrava maior interesse em aprofundar os laços comerciais.

Com Obama, não é diferente. O presidente americano nunca demonstrou qualquer preocupação com os latino-americanos. É, inclusive, um dos casos raros de estudante que passou por duas das principais universidades americanas, como Columbia e Harvard, e não sabe sequer noções básicas de espanhol.

Ao longo de seus três anos e meio de mandato, jamais se dirigiu aos países da região. Quando visitou o Brasil, acabou ofuscando toda a agenda ao anunciar os ataques da OTAN contra o regime de Muamar Kadafi na Líbia. Ação que sequer era apoiada pelo governo brasileiro e incomodou profundamente o Itamaraty.

Obama tampouco recebeu Dilma Rousseff com o mesmo tratamento dispensado a outros chefes de Estado ou de governo. Os dois líderes possuem pouca química. Os tempos de relações pessoais, como as de Fernando Henrique com Bill Clinton e de Lula com George W. Bush, ficaram no passado.

Por último, a administração Obama ignorou a Rio+20. O presidente, ao contrário de mais de cem chefes de Estado ao redor do mundo, não compareceu ao evento. Surpreendeu ainda mais porque o atual ocupante da Casa Branca sempre se exibiu como um defensor do meio-ambiente e preocupado com o futuro do planeta. Isto é, teria havido hipocrisia. Não daria para falar o mesmo se Bush ou Romney não comparecessem.

O argumento de que os EUA estavam insatisfeitos com algumas posições brasileiras no Conselho de Segurança não se sustenta. Os brasileiros foram contra uma nova rodada de sanções ao Irã, contrariando os interesses americanos. Mas os turcos agiram da mesma forma e Obama gosta elogiar publicamente o premiê turco, Recep Tayyp Erdogan, considerando-o um dos mais competentes líderes atuais, apesar do massacre contra os curdos, dos assentamentos ilegais no Chipre e da negação até mesmo de discussões sobre o  genocídio armênio.

No caso da Líbia e da Síria, o Brasil adotou posições idênticas às da Índia (e também da Alemanha no primeiro caso) e o presidente americano apoiou a entrada dos indianos como membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, diferentemente do que fez ao visitar Brasília.

Resumindo, Obama não é Bill Clinton

 

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra

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