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Crise na Europa ainda pode derrubar Obama

gustavochacra

08 de janeiro de 2012 | 14h42

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Eleições nos EUA 2012

A sensação nos Estados Unidos é de que a recessão já passou, mas os bons tempos anteriores à crise de 2008 ainda estão distantes. Os números melhoram, mas os índices econômicos permanecem aquém do considerado ideal para a maior economia do mundo.

Este panorama pode ajudar Obama em uma difícil reeleição em novembro. Claro, desde que não haja um “segundo mergulho”, como veremos mais adiante neste post.

Nesta semana, a taxa de desemprego caiu, as exportações cresceram e o otimismo dos consumidores aumentou. As três gigantes automobilísticas de Detroit (GM, Ford e Chyrsler), que estiveram perto da quebra em 2009, viram as compras de carros dispararem em dezembro. Nos últimos dois anos, a indústria americana registrou crescimento no emprego, algo inédito desde 1997, segundo o Departamento do Trabalho.

Para completar, as vendas no varejo durante o período entre o dia de Ação de Graças e o Natal bateram recordes. A elevação foi de 3,3%, segundo índice da Thompson-Reuters. A loja de departamento Macy’s (considerada chique no Brasil, mas popular nos EUA) chegou a registrar aumento de 6,6% quando comparado ao mesmo período em 2010.

Ao mesmo tempo, o índice de confiança do consumidor é pouco mais da metade do auge em 1985, nos áureos tempos do segundo mandato de Reagan. O desemprego, que caiu para 8,5%, continua mais do que o dobro da taxa ideal e a queda se deveu em grande parte à desistência de muitos procurarem trabalho. Ao todo, 5,2 milhões de americanos estão fora do mercado há mais de seis meses. As vendas no varejo cresceram em grande parte por causa de promoções de até 60%. A compra de carros tampouco voltou aos níveis de uma década atrás.

E, conforme escrevi acima, este frágil aquecimento pode ser revertido, caso um agravamento da crise na Europa afete esta morna recuperação americana, praticamente minando as chances de Obama, com um republicano (por que não Romney) assumindo para administrar de outra forma a economia.

Por enquanto, segundo mostra a elevação de 16% do índice S&P 500, da Bolsa de Valores de Nova York, em relação ao piso em 2011, os investidores ainda acreditam que os americanos conseguirão superar os problemas europeus e uma desaceleração na China.  “O dano provocado pela crise da zona do Euro para a economia dos EUA tem sido menor do que o previsto”, afirma o banco Goldman Sachs em relatório.

Enquanto isso, Obama vem recebendo críticas tanto na direita como na esquerda. De acordo com Roger Hickey, fundador do Economic Policy Institute, de viés mais liberal (nos EUA, de esquerda), “seria necessário criar mais de 350 mil empregos por mês pelos próximos três anos para a taxa cair abaixo dos 6%. O número de dezembro é insuficiente. E leve em conta que muitos deixaram de procurar emprego”. Na avaliação de economistas como ele, o governo deveria investir mais na economia.

Já para o conservador James Pinkerton, da RATE Coalition e ex-assessor de Ronald Reagan e George Bush (o Pai), uma redução nos impostos pagos pelas corporações deve ser implementado imediatamente. “Desde a depressão de 1930, a taxa de desemprego não permanece alta por tanto tempo, com o governo sendo incapaz de criar mais postos de trabalho”, diz.

John Boehner, que lidera os republicanos no Congresso dos EUA, afirmou ontem que as ações de Obama, como o programa de estímulo, apenas atrapalharam a criação de emprego. Mitt Romney, favorito para disputar a Presidência pela oposição em novembro, acrescentou no Twitter que “os Estados Unidos perderam 1,7 milhões de empregos durante a administração Obama”.

Em artigo no New York Times, o Nobel de Economia, Paul Krugman, de linha mais keynesiana, defendeu o desempenho de Obama e criticou as afirmações de Romney e outros republicanos. “A economia perdeu 3,1 milhões de empregos entre janeiro de 2009 e junho de 2009”, no primeiro semestre do atual governo. “Desde então, já foram criados 1,2 milhões de empregos. Não é o bastante, mas não dá para caracterizar destruição de empregos, como faz Romney”, escreveu.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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