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Obama supera Bush e manda matar qualquer um em atitude suspeita no Iêmen

gustavochacra

27 de abril de 2012 | 16h33

Barack Obama supera Ariel Sharon e George W. Bush. Os dois primeiros autorizavam assassinatos seletivos de inimigos. Concorde ou não, eles alvejavam pessoas que de uma forma ou de outra ameaçavam Israel ou os Estados Unidos.

Já o atual ocupante da Casa Branca foi além. Em meio a acusações de estar violando as próprias leis americanas, Obama decidiu ampliar as operações com drones, como são chamados aparelhos não tripulados, contra a Al Qaeda da Península Arábica (AQAP), que possui base no Iêmen. A partir de agora, apenas um comportamento suspeito será suficiente para a CIA ou as forças americanas ordenarem um ataque.

Isso mesmo, “comportamento suspeito”. No Iêmen, onde praticamente toda a população masculina tem armas e se veste, na maioria das vezes, com vestimentas tribais tradicionais. Logo, uma turma de amigos indo mascar qat no fim da tarde, algo ultra normal no país, pode ser descrita como uma célula terrorista. E o falcão Obama manda matar.

Claro, o presidente não receberá as mesmas críticas dirigidas a Bush ou Sharon. Não me perguntem o motivo. Apenas registro que existe uma diferença no tratamento. Pessoas que condenavam o republicano no Iraque, idolatram a performance do democrata no Afeganistão, apesar de uma ação ser a réplica da outra.

Voltando ao Iêmen, antes de aprovar estas operações, os EUA apenas autorizavam ataques caso um líder da AQAP estivesse presente. Era nos moldes de Sharon e Bush, não de Obama, o guerreiro.

De acordo com o professor de direito de Yale, Bruce Ackerman, em artigo no Washington Post, Obama “viola barreiras legais erguidas pelo Congresso para impedir a Casa Branca de levar adiante uma guerra sem fim contra o terrorismo”.

Nos últimos meses, a AQAP voltou a crescer no Iêmen, independentemente das amplas operações militares de Obama que deixaram centenas de mortos. Para complicar, o governo de Abed Rabbo Mansour al-Hadi ainda não consolidou o poder em Sanaa desde que Abdullah Saleh concordou em deixar o poder depois de décadas. O ex-líder permanece no país e envolvido ativamente na política. Seu filho ainda lidera a Guarda Revolucionária e forças ligadas à sua família ocuparam por alguns dias o aeroporto da capital. “A deterioração política durará anos”, avalia James Fallon, da Eurasia.

Além da AQAP, o governo do Iêmen enfrenta separatistas no sul e levantes da minoria houthi no norte. Todos estes problemas existiam mesmo antes da eclosão da Primavera Árabe. Ontem, em Sanaa, ainda havia protestos contra o governo.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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