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Oposição, e NÃO Assad, teria usado armas químicas, segundo comissária da ONU

gustavochacra

06 de maio de 2013 | 08h58

Veja meu comentário sobre a Síria na Jornal das Dez da Globo News

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A oposição síria, e não o regime de Bashar al Assad, teria usado armas químicas, de acordo com acordo com uma das mais importantes autoridades da ONU disse em entrevista. Este anúncio, que infelizmente tem repercutido pouco na imprensa americana, afundaria pelo menos um dos argumentos dos defensores de uma intervenção dos EUA na guerra civil na Síria.

Apenas para lembrar, Barack Obama afirmou que uso de armas químicas, por parte do regime, seria um divisor de águas e mudaria seus cálculos sobre a guerra civil na Síria. Semanas atrás, emergiu a informação de que estes armamentos teriam sido usados. Sem prova alguma, certas nações passaram a acusar o regime.

Nesta sexta, porém, a comissária da Comissão Internacional de Inquérito da ONU para a Síria, Carla del Ponte, afirmou ter “fortes evidências de que os rebeldes usaram armas químicas”, e não o regime. Portanto, mais uma vez para ficar claro, a oposição teria sido responsável, não Assad, pelo uso do arsenal químico – informações posteriores indicam que a ONU tampouco tem provas conclusivas sobre o uso pelos opositores, mas neste caso a própria Del Ponte precisaria se explicar.

Esta informação deve ser esquecida, infelizmente. Defensores da intervenção ignoram o relatório da ONU e cravam, sem provas, que Assad usou armas químicas. Ainda bem que Obama, no caso da Síria, mantém enorme cautela e foi claro em discurso na semana passada ao dizer que estes armamentos químicos foram usados, “mas não sabemos quando, onde e por quem”. A resposta das Nações Unidas – pela oposição, não por Assad. 

ATUALIZAÇÃOPaulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão de Inquérito da ONU, publicou nota afirmando que não há provas contra o regime de Assad e TAMPOUCO contra a oposição. Carla del Ponte não voltou atrás na sua informação

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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