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Os 150 anos do petróleo nos Estados Unidos e a dependência dos sauditas

gustavochacra

14 de setembro de 2009 | 09h43

O petróleo completou 150 anos desde a sua descoberta na Pensilvânia e ninguém nos EUA celebrou. Apesar de ser a matriz energética mais importante no último século e meio, o “óleo da rocha”, como era chamado inicialmente pelos americanos, não desfruta de simpatia no país, sendo considerado responsável por males que vão de ditaduras no Oriente Médio ao aquecimento global.

Barack Obama não fez discurso homenageando os descobridores. Ao contrário, defende a menor dependência e incentiva produção de etanol do milho. A Casa Branca publicou um plano a favor do fim da dependência do petróleo.

“Devemos nos comprometer com um futuro econômico no qual a força da nossa economia não seja atrelada à imprevisibilidade dos mercados de petróleo. Temos que investir em fontes limpas de energia que reduzam a nossa dependência de combustíveis fósseis e transformem os EUA em um país energeticamente independente”, diz o documento.

O articulista do New York Times Thomas Friedman é um do que carregam a bandeira do fim da dependência do petróleo, com o argumento que os americanos acabam por incentivar ditaduras e monarquias corruptas. Em entrevista ao Estado, o presidente do Instituto Árabe Americano, James Zogby, afirma que um dos motivos para a imagem ruim dos árabes nos EUA, além dos atentados de 11 de Setembro, são as crises do petróleo nos anos 1970. Os americanos, que enfrentavam uma crise econômica, observavam países como a Arábia Saudita nadar em petróleo.

Os EUA já entraram em conflito com o Iraque duas vezes, bombardearam a Líbia e consideram o Irã seu principal inimigo externo – todos produtores de petróleo. Sem falar na inimizade com o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Os sauditas começaram recentemente a se levantar contra essas atitudes. O príncipe Turk al-Faisal, em artigo na revista Foreign Policy, escreve que “a Arábia Saudita possui 25% das reservas de petróleo do mundo, além de ser o maior exportador”. “A produção americana começou a cair nos anos 1970, enquanto as necessidades energéticas dispararam. Levando isso em conta, os esforços de quem prega a independência energética deveriam se focar na interdependência. Goste ou não, os destinos dos EUA e da Arábia Saudita estão conectados e continuarão assim por décadas.”

Gastando milhões de litros de gasolina todos os dias, os americanos reclamam dos sauditas e esquecem de valorizar quatro conterrâneos que descobriram a fonte energética. Segundo Daniel Yergin, autor de “The Prize”, sobre a história do petróleo, o primeiro deles foi o empreendedor George Bissell. Um dia, retornando do sul dos EUA para a Pensilvânia, verificou a existência de um óleo preto usado para medicina. Posteriormente, em visita à Universidade Dartmouth, onde havia estudado, percebeu que o líquido era inflamável.

Aliado ao investidor James Townsend, eles contrataram o químico Benjamin Silliman Jr., que comprovou as propriedades do petróleo para uso na iluminação. Para conseguir prospectar petróleo em grandes quantidades, os dois se associaram ao maquinista Edwin Drake.

Depois de meses de tentativa sem sucesso, Drake conseguiria finalmente encontrar um poço com grandes quantidades de petróleo no dia 27 de agosto de 1859.

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