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Os curdos não têm a sorte de ser palestinos

gustavochacra

10 de janeiro de 2013 | 18h58

Imaginem se, em vez de três curdos, fossem três palestinos executados em Paris? Provavelmente já teriam acusado Israel e haveria gritaria internacional. Mas os curdos? Claro, suspeitam da Turquia, o que é natural. Afinal, os curdos são tratados como cidadãos de segunda classe no país e cogitar a criação de um Estado é crime.

Mas a Turquia desfruta, por algum motivo, de imunidade internacional e de pouco impacto nas suas ações. O governo turco considera crime falar em genocídio dos armênios, defende a ocupação ilegal do norte do Chipre e impede os curdos de tentarem criar um Estado ou ao menos poderem ter a sua própria identidade.

Raramente lemos nos jornais, porém, sobre estas questões. Há muitas críticas, quase diárias, aos assentamentos de Israel. Mas quem fala dos assentamentos turcos no Chipre? Sou dos raros jornalistas que fez reportagem sobre o assunto in loco e mesmo assim uma vez. O presidente Barack Obama falou que reconheceria o genocídio armênio, mas depois, covardemente, refugou. O Hamas tem simpatizantes no mundo todo, mas o PKK não é tão “cool”. Por que estas diferenças?

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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