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Os EUA, Irã e Rússia terão uma estratégia comum na Guerra da Síria?

gustavochacra

13 de agosto de 2015 | 16h35

Os EUA, a Rússia e o Irã podem chegar a um acordo para terem uma estratégia conjunta para combater o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh.

Primeiro, os americanos não pregarão mais a saída de Bashar al Assad. Concluíram que a queda do líder sírio, neste momento, favoreceria o ISIS ou a Frente Nusrah, como é conhecida a Al Qaeda na Síria.

Já a Rússia e o Irã devem pressionar Assad a aceitar um governo de transição  com membros da oposição moderada. Grupos rebeldes não ligados à Al Qaeda ou ao ISIS seriam integrados às Forças Armadas sírias (logisticamente algo ultra complicado). Esta coalizão seria comandada por Assad inicialmente.

Portanto o objetivo inicial passaria a ser combater o ISIS por meio de Assad, mas reduzindo o poder deste. Caso o ISIS venha a ser derrotado nos próximos anos, a estratégia seria uma transição de Assad para outro governante, mas com a manutenção do regime e das estruturas de burocracia de Estado.

Turquia, Arábia Saudita e outros atores regionais não estão convencidos. O Líbano segue dividido, embora a maioria tema os efeitos no país da queda de Assad. Israel desde o inicia avalia que o ideal é a permanência de um Assad enfraquecido.

Dará certo? Não sei. A Guerra da Síria ainda demorará anos e o final é completamente imprevisível. Mas, diante do cenário atual, acho que a coordenação entre EUA, Rússia e Irã pode evitar que Damasco, a Costa Mediterrânea, Homs, Hama e mesmo Aleppo caiam nas mãos do ISIS. Derrotar o grupo em seu território, em Raqaa, mais perto da fronteira com o Iraque, é algo mais complexo pelo menos no médio prazo.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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