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Os EUA no futebol equivalem à China na economia – esta será a surpresa da Copa

gustavochacra

04 de dezembro de 2009 | 16h49

Nos anos 1980, poucos falavam que a China se tornaria uma potência econômica. De repente, os chineses foram superando os europeus e hoje praticamente fazem frente à super potência Estados Unidos. No futebol, acontece um fenômeno parecido que poucos percebem, a não ser um recente artigo da revista da Foreign Policy. Os americanos não sabiam jogar futebol na época do Cosmos. O esporte quase desapareceu nos anos 1980 para renascer nos 1990 com a boa campanha na Copa de 1994, quando perderam por apenas 1 a 0 para o Brasil nas oitavas. Vejam a evolução. Hoje, os EUA se tornam um grande time de futebol. Derrotaram a Espanha, que liderava o ranking da FIFA, na Copa das Confederações. Quase venceram o Brasil na final do mesmo torneio.

Jornais americanos acompanham a seleção. O New York Times publicou a vitória sobre a Espanha na sua primeira página. O Wall Street Journal, que pouco fala de esportes, também deu destaque para a seleção. A transmissão do sorteio da Copa passou no telão do Times Square e em bares de Nova York. O futebol já é o esporte mais praticado dos EUA. Não apenas entre as mulheres, mas também entre os homens.

Americanos adoram o que eles chamam de underdog – ou zebra. Sempre sonharam em poder ter uma grande conquista mundial em uma modalidade que eles consideram européia. Por este motivo, não fiquem surpresos se os Estados Unidos forem a grande surpresa da próxima Copa. O grupo deles na primeira fase está longe de ser difícil. Na minha opinião, na economia, a China superou os europeus, mas ainda está atrás dos EUA. No futebol, no futuro – e esta é uma previsão -, os americanos ficarão atrás apenas dos brasileiros. E, com a matéria-prima deles, podem nos superar. Aos poucos, os melhores talentos optam por futebol, em vez do futebol americano, basquete e baseball. E vejam o que os EUA conseguiram no hóquei no gelo no início dos 1980, com aquele time de volêi em 1984, quando venceram o Brasil de Bernard, William, Xandó, Renan, Montanaro e Amauri. Ou mesmo o pólo aquático na última Olimpíada, quando superaram potências eslavas para chegar à final.

E, falando em americanos, para eles o grupo da morte é o do Brasil. Alex Lalas, comentarista da ESPN e conhecido pela sua barba ruiva e estilo roqueiro na Copa de 1994 (hoje está barbeado e usa terno), acha que a Costa do Marfim e Portugal podem dar trabalho para o Brasil. Discordo, Portugal é fraco e tem apenas o Cristiano Ronaldo. Por sinal, que nunca jogou bem na seleção. Para mim, a chave mais difícil e equilibrada é a A, da África do Sul, Uruguai, México e França. A mais fácil, a da Espanha, Honduras, Chile e Suíça.

A – África do Sul, México, Uruguai, França

B – Argentina, Coréia do Sul, Nigéria, Grécia

C – Inglaterra, EUA, Argélia, Eslovênia

D – Alemanha, Austrália, Gana, Sérvia

E – Holanda, Japão, Camarões, Dinamarca

F – Itália, Nova Zelândia, Paraguai, Eslováquia

G – Brasil, Coréia do Norte, Costa do Marfim, Portugal

H – Espanha, Honduras, Chile, Suíça

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