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Os “Gabriels” brasileiros que viajam pelo mundo em busca de conhecimento

gustavochacra

28 de julho de 2009 | 19h35

O economista carioca Gabriel Buchmann, 28, desapareceu em Malawi, na África, há mais de dez dias, durante uma escalada. Era a última etapa de sua volta ao mundo para conhecer a pobreza de perto, antes de começar o doutorado em economia na Universidade da Califórnia. Antes que digam que ele primeiro deveria ter conhecido o Brasil, respondo que o Gabriel já havia passado pelo Nordeste e a região amazônica.

Sua iniciativa se assemelha à de muitos brasileiros na faixa dos 20 anos que viajam pelo mundo para experimentar outras culturas. Gerações anteriores no máximo passavam temporadas nos Estados Unidos ou em países mais avançados da Europa, como França e Inglaterra. Hoje é bem diferente.

Nos meus tempos no Oriente Médio, encontrei em Beirute o jovem Omar, de São José do Rio Preto, que decidiu passar um ano estudando inglês na capital libanesa. Inglês mesmo, não errei. Árabe ele já falava. Também sei, de leitura, do Fernando Kallas, um carioca descendente de libaneses que viveu um ano em Beirute, onde escrevia textos no seu blog sobre a terra dos seus avós. O Gustavo, diplomata e PhD pela London School of Economics, mora no campo de refugiados de Shatila para estudar os jovens palestinos. Paulo Pinto, acadêmico do Rio, ficou dois anos em Aleppo para escrever sua tese sobre os sufistas.

Em Israel, conheci a Renata, correspondente do Globo, e a Daniela, do Estadão. Duas meninas judias que foram conhecer de perto o conflito palestino-israelense. Um dia, em Ramallah, fiquei impressionado com a desenvoltura da Renata, amiga de vários palestinos da cidade que serve de capital da Autoridade Palestina. Descobriu o outro lado do checkpoint de Qalandia. Aqui no blog, sempre lemos os comentários dos dois “Gabriels” que vivem em Tel Aviv e descrevem a sociedade israelense. Eles me mostraram, com orgulho, a cidade onde moram, descrita por eles como a “bolha”. Agora, a Mariana também está viajando pelo Oriente Médio. Chega amanhã a Israel. A Carolina largou Nova York e São Paulo para passar meses morando em Gana e Serra Leoa.

Sem falar na Patrícia Campos Mello, correspondente do Estadão em Washington. Seguindo os passos do pai dela, se tornou jornalista de guerra e está no Afeganistão (cliquem no nome dela nesta página para ler o blog).

Na China, na Índia, na Austrália, na Indonésia – sempre há um brasileiro de mochila, Ipod e um livro na mão. Muitos com o ideal do Gabriel Buchmann, de conhecer o mundo, de ficar em casas de locais, de usar a experiência para melhorar o Brasil, como americanos, europeus e australianos já fazem há décadas. Torço para que tudo esteja bem com ele para que, em breve, possa nos contar toda a sua experiência em um livro, escrito em português. Um carioca do Leblon consegue nos relatar de uma maneira muito mais próxima como é a África do que um inglês de Oxford ou um americano de Boston.

Claro, eu me espelho um pouco no Gabriel, apesar de já ter ultrapassado os 30 e estar naquela idade que os jogadores de futebol começam a se aposentar e tenistas há muito tempo abandonaram as raquetes. Mas também viajei pelo Oriente Médio, visitando lugares como Gaza, Curdistão e sul do Líbano. Quis conhecer de perto os conflitos da região que tanto atrai as atenções do mundo. Também um ano antes de começar o meu PhD. Em vez de escalar, nado em alto mar. Hoje, era para o Gabriel ter retornado ao Rio. Pegaria o visto de estudante e, daqui algumas semanas, estaria na Califórnia. Quem sabe ainda consiga. Vamos esperar. Queria um dia conversar com ele

Mais informações podem ser encontradas no blog sobre o Gabriel

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