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Os massacres nos EUA e o direito de portar armas de fogo

gustavochacra

21 de julho de 2012 | 10h05

O ataque de ontem durante a exibição do novo filme do Batman em um cinema de Aurora, uma cidade de no subúrbio de Denver (Colorado), coloca em choque mais uma vez dois valores importantes para a sociedade americana. De um lado, a segurança de poder ir a um filme ou a uma escola sem correr o risco de ser morto por um atirador louco. De outro, a liberdade para os cidadãos carregarem armas.

De acordo com a Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos, as pessoas possuem o direito de portar armas para sua proteção, desde que sempre as usem dentro da lei.

Mas, há décadas, ativistas contrários a esta determinação pedem maior controle. Um dos maiores opositores do direito ao porte de armas nos EUA é prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Em um emocionado discurso ontem depois do ataque no Colorado, o bilionário político americano pediu ao presidente Barack Obama e ao candidato republicano, Mitt Romney para se posicionarem sobre como pretendem lidar com o tema.

Ao mesmo tempo, existe o poderoso lobby do National Rifle Association e também o ideal libertário de que o Estado não tem o direito de impedir uma pessoa de carregar uma arma para a sua própria defesa. Para muitos americanos, ninguém pode restringir esta liberdade.

Obama adota um tom ambíguo, pois sabe que o presidente não tem poderes para derrubar a Segunda Emenda. Desta forma, o atual ocupante da Casa Branca se distancia do debate, como ontem, usando argumentos jurídicos e dizendo que todos os lados têm o direito a uma opinião sobre um dos mais polêmicos na sociedade americana ao lado do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Romney, por sua vez, é claro ao defender a Segunda Emenda. Caso se posicionasse contra ao direito de portar armas, bateria de frente com toda a base de seu partido, que considera este direito constitucional quase sagrado.

Independentemente da posição dos dois concorrentes à Casa Branca, não há, mesmo diante de mais mortes como as de ontem, uma chance no curto e médio prazo de a lei ser alterada. Vale lembrar que Aurora, o palco do ataque do filme do Batman, como o episódio já é conhecido nos EUA, fica a apenas poucos quilômetros de Columbine, onde ocorreu o massacre de Columbine. Na ocasião, dois estudantes de uma High Scchool (o equivalente ao ensino médio no Brasil) mataram 13 colegas. E nada mudou, como não mudará agora.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra