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Os obstáculos impostos por Israel na ocupação ilegal da Cisjordânia – Parte 1

gustavochacra

29 de janeiro de 2009 | 07h54

Os palestinos que viajem de Nablus para Ramallah precisam passar todos os dias cerca de duas horas no checkpoint de Hawara. Após esperar na fila, abrir a mochila e passar por um detector de metal, os palestinos são obrigados a apresentar documentos para soldados israelenses. Alguns falam hebraico melhor do que os militares, muitas vezes recém chegados a Israel, enquanto estes jovens de Nablus são de famílias árabes que há séculos habitam o território. E, mesmo assim, correm o risco de ser mandados de volta, sem poder completar a viagem até Ramallah, que seria feita o tempo todo dentro da Cisjordânia, que é uma área palestina.

Se tiverem permissão para cruzar a barreira israelense, ainda passarão de carro ou ônibus por outros checkpoints de Israel no trajeto de carro até a cidade sede da Autoridade Palestina. Obviamente, um deles pode estar fechado por motivos nunca divulgados e os palestinos terão que buscar caminhos alternativos para chegar a Ramallah, aumentando em uma hora o tempo da viagem. Em algumas partes, os palestinos são impedidos de usar as mesmas estradas dos colonos judeus.

Ao longo do trecho Nablus-Ramallah, o palestino poderá observar ao menos dez assentamentos israelenses. De acordo com a ONU, todos são ilegais. Nenhuma construção de Israel na Cisjordânia está dentro das leis internacionais. E também são um desrespeito aos acordos firmados por governos israelenses desde Oslo, no início dos anos 1990. E as colônias não param de crescer.

O grupo pacifista israelense Paz Agora afirma em relatório divulgado ontem que 1.257 estruturas foram construídas na Cisjordânia em 2008, um crescimento de 57% em relação a 2007. Alguns dirão que Israel retirou 7.000 colonos da Faixa de Gaza. Mas este número equivale a 2% do total da Cisjordânia. O correto era ter retirado todos os assentamentos. Ocupação civil de forma alguma justifica questões de segurança. Na verdade, apenas prejudica.


Obs. Eu realizei esta viagem duas vezes nas últimas semanas

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