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Os patetas terroristas que atacaram grupo anti-Islã eram do ISIS?

gustavochacra

05 de maio de 2015 | 16h58

O ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, disse ser responsável pelo ataque terrorista frustrado de dois patetas contra uma reunião de um grupo islamofóbico (anti-Islã) no Texas no qual havia um concurso meio bobo e ofensivo para a melhor caricatura de Maomé. Ambos foram mortos na operação.

Antes de prosseguir, porém, temos de deixar claro três coisas. Primeiro, os patetas que tentaram  realizar o ataque são terroristas e sua ação não tem justificativa. Em segundo lugar, os islamofóbicos, por mais bobos que sejam, têm o direito de se expressar garantido pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Deviam ter sido ignorados ou, no máximo, alvo de protestos pacíficos. Terceiro, a comunidade islâmica americana condenou a tentativa de ataque e disse que o terrorismo é “pior do que qualquer caricatura”.

Mas, voltando ao tema, será que foi o ISIS? O grupo reivindicou, mas nenhum dos dois patetas foi treinado pela organização com sede na Síria e no Iraque. Podem ter sido “inspirados” pela organização terrorista. Neste caso, agiram provavelmente como lobos solitários.

De qualquer maneira, fica clara a incapacidade, até agora, de o ISIS realizar ataques de grandes proporções fora do Iraque e da Síria. Se compararmos a outros grupos terroristas, eles estariam na série C, ou terceira divisão. Basta voltarmos uma década ou um pouco mais na história e vermos a Al Qaeda.

A rede terrorista de Osama bin Laden derrubou o World Trade Center e atingiu o Pentágono, matando cerca de 3 mil pessoas. Explodiu coordenadamente diferentes estações do metrô de Londres. Matou dezenas de pessoas ao atacar trens na estação Atocha de Madrid. Matou centenas em uma boate em Bali.

Mesmo o Hamas, contra Israel, era mais bem sucedido em seus atentados terroristas. Seus homens-bomba mataram centenas de israelenses ao cometerem atentados contra civis em casamentos, boates, restaurantes e ônibus.

O ISIS, sem dúvida, é uma das mais repugnantes entidades terroristas do mundo, ao lado da própria Al Qaeda, do Al Shabab, do Boko Haram, entre outras. Comete atrocidades na Síria e no Iraque. Inclusive, tem levado adiante o genocídio de yazidis e de cristãos assírios. Mas, no quesito atentados terrorista no Ocidente, o grupo ainda está engatinhando.

Não duvido, no entanto, que no médio prazo o ISIS seja capaz de atentados de maiores proporções, embora dificilmente no padrão da Al Qaeda na primeira metade dos anos 2000. Especialmente quando terroristas bem treinados, e não patetas, atuem nos ataques. Os lobos solitários podem começar a ficar mais perigosos e agir em conjunto.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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