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Os republicanos devem ser isolacionistas ou intervencionistas nos EUA?

gustavochacra

15 de maio de 2015 | 21h13

Todos os principais pré-candidatos republicanos dos Estados Unidos seriam contra a Guerra do Iraque se tivessem as informações que tem hoje. Isto é, que a inteligência americana estava errada e o regime de Saddam Hussein não possuía armas de destruição em massa. Em segundo lugar, claro, da morte de centenas de milhares de pessoas, incluindo 4 mil jovens americanos. E, por último, um país dividido entre um governo aliado do Irã em Bagdá, de um lado, e uma organização terrorista chamada ISIS (Grupo Estado Islâmico ou Daesh), do outro.

Jeb Bush, porém, se atrapalhou inicialmente em uma entrevista e deu a entender de que apoiaria mesmo atualmente. Depois de sofrer críticas, em outra entrevista, voltou atrás e disse que não. Mas, com as informações disponibilizadas na época, o republicano indicou que agiria como o irmão. Não podemos esquecer, e ele lembrou bem, a democrata Hillary Clinton, que deve ser a candidata de seu partido, também apoiou a guerra contra Saddam.

Independentemente de qualquer coisa, pelo menos hoje existe um consenso nos EUA de que a Guerra do Iraque foi um erro. Republicanos e democratas concordam. Alguns, como Rand Paul, do Partido Republicano, lembram que a intervenção na Líbia, do governo Barack Obama, também foi um desastre total e hoje o país caiu nas mãos de milícias extremistas, muitas delas ligadas à Al Qaeda.

Diante de duas intervenções fracassadas, além do também fracasso no Afeganistão, por que tem gente ainda insistindo em intervenções militares dos EUA? Será que não intervir seria melhor? Este será o debate dentro das primárias republicanas. De um lado, o isolacionista Rand Paul. Do outro, o falcão intervencionista (embora contra a Guerra do Iraque) Marco Rubio. No meio, Bush, Scott Walker (que não tem uma política externa) e Ted Cruz.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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