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OTAN deve roubar lugar do Conselho de Segurança como fórum de discussões sobre a Síria

gustavochacra

26 de junho de 2012 | 10h07

no twitter @gugachacra

A OTAN não lançará uma ação contra a Síria neste momento, conforme a própria entidade decidiu em reunião hoje na Turquia. Mas aos poucos a aliança militar tende a ser o fórum onde será decidido se haverá ou não uma intervenção externa para remover o regime de Bashar al Assad do poder. No Conselho de Segurança, esta alternativa é praticamente impossível porque a Rússia e a China são contra.

Até novembro, quando acontecem as eleições americanas, porém, o governo de Barack Obama preferirá manter as discussões no Conselho de Segurança. Assim, o presidente, enfraquecido pela má performance da economia americana e com um adversário forte como Mitt Romney, preferirá se esconder atrás de vetos de Moscou e Pequim para não agir.

Depois da eleição, independentemente de quem for eleito, os EUA reavaliarão os próximos passos na Síria. Se o regime de Assad houver conseguido enfraquecer os opositores, o que é possível, Washington pressionará por uma saída diplomática envolvendo o atual líder sírio. A Rússia passaria a ser o país mais importante na solução. Caso as milícias da oposição ganhem força, os americanos certamente pressionarão por uma ação da OTAN, em coordenação com as nações do Golfo. A Turquia, neste caso, estaria no comando.

Para finalizar, com a permanência ou não de Assad, e com uma intervenção militar ou não, a Síria seguirá em guerra civil por meses ou anos. Não há solução. Os cenários que eu coloquei acima servem apenas para a comunidade internacional fingir que dá para fazer alguma coisa. O conflito na Síria me lembram as brigas no pólo aquático, onde não há como separar os jogadores trocando socos dentro da água. Eles ficam ali se agredindo, por horas, até alguém apanhar muito e desistir.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios