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OTAN, e não rebeldes, derrota Kadafi

gustavochacra

21 de agosto de 2011 | 19h18

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Se Muamar Kadafi cair nas próximas horas, como parece ser provável, terá sido a OTAN, e não os rebeldes, que o derrubou. Antes de a aliança militar ocidental intervir, em março deste ano, o líder líbio estava próximo de Benghasi para reprimir de uma vez por todas os levantes da oposição.

Graças aos bombardeios da OTAN, as forças do regime se enfraqueceram e não conseguiram chegar até Benghasi. E graças às armas concedidas pela alianca ocidental, os rebeldes foram capazes de lutar contra os homens de Kadafi. Sem esta ajuda, eles perderiam.

Desta forma, fica a pergunta se a ação da OTAN, ainda que desrespeitando a resolução 1973 da ONU, foi correta ou não. Afinal, derrubou do poder um dos mais sanguinários líderes políticos do mundo.  Além disso, também vale perguntar por que a comunidade internacional perdoou Kadafi depois de seu envolvimento em atentados terroristas nos anos 1980? Por que foi tolerada a repressão dele contra a oposição mesmo antes do início dos levantes árabes?

Ainda hoje, ditadores de diversas partes do mundo reprimem com violência a oposição. Além de Assad, podemos citar a monarquia Al Khalifa, em Bahrain, o rei Abdullah, da Arábia Saudita, e o seu homônimo da Jordânia. Isso para ficar em apenas alguns dos países árabes. Podemos pegar exemplos na Coreia do Norte, em ex-repúblicas soviéticas no Caucaso e mesmo na China. Qual a regra para derrubar um ditador?

O portal do Estadão começou a cobrir os dez anos dos atentados. Eu entrarei em breve nesta cobertura também. Acompanhem no http://topicos.estadao.com.br/11-de-setembro. Siga o @inter_estadão, o Twitter da editoria de Internacional do estadão.com.br. Conheça também os blogs da equipe de Internacional do portal – correspondentes, colunistas e repórteres.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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