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Palestinos erram ao rejeitar oferta israelense de retirada da Cisjordânia

gustavochacra

13 de dezembro de 2008 | 06h16

Pelas palavras do negociador palestino, Ahmed Qureia, as recentes conversações entre Israel e os palestinos estavam mais avançadas do que se imaginava. Israel ofereceu se retirar de praticamente toda a Cisjordânia, conservando apenas 6,8% do território, onde estão assentamentos que são verdadeiras cidades, como Ariel, Maaleh Adumim e alguns outros. Ariel é complicado por sua localização, que é distante da divisa entre Israel e Cisjordânia. Mesmo assim, os israelenses aceitaram dar em troca outras terras para compensar os palestinos.

Os palestinos disseram não, pois querem a Cisjordânia integralmente. Honestamente, acho um erro dos palestinos, A proposta de Israel é boa e realista. Além disso, os palestinos poderiam ter terras que deixem a Cisjordânia e a faixa de Gaza mais próximas. O território pré-1967 é a base de negociações. Mas pode ser alterado – como, aliás, já havia sido em relação à partilha de 1948. O território que era Jordânia até 1967 é resultado das linhas do armistício de 1949.

O problema em negociações não deve ser a Cisjordânia, mas sim Jerusalém e os refugiados. Para a cidade, a solução terá que envolver líderes religiosos e mesmo a comunidade internacional. Talvez, uma cidade única que sirva como duas capitais. Mas unida, sem um muro, diferente de Nicosia, no Chipre, que é a última capital dividida do mundo

Já a questão dos refugiados, como sempre, é o tema mais delicado. Israel, segundo Qureia, aceitaria receber 5 mil palestinos. Porém há mais de um milhão de refugiados e descendentes. Sendo realista, é impossível que Israel por livre e espontânea vontade os aceite de volta. Não vai aceitar. O que os palestinos devem lutar é por uma solução para o problema dos refugiados, e não pelo retorno de todos eles para Israel. Por exemplo, eles poderiam ser instalados no futuro Estado palestino com ajuda financeira de outros países, inclusive Israel. Certa vez, em uma palestra, a escritora palestina Suad Amiry, autora do livro “Sharon e minha sogra”, disse que os palestinos querem apenas o reconhecimento por Israel de que os refugiados existem e que os israelenses, em um momento de sua história, erraram.

De qualquer forma, por mais que os palestinos não tenham concordado, a oferta de Israel pode servir de base para futuras negociações. Mas tudo ficará congelado até a eleição israelense. Dependendo do resultado, ela poderá ser fortalecida, com Tzipi Livni, ou enfraquecida, com Benjamin Netanyahu.

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