As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Palestinos são subclasse no Líbano

gustavochacra

07 de outubro de 2008 | 17h10

Os palestinos que moram no Líbano estão no limbo desde 1948. Na verdade, muitos são a segunda e até mesmo terceira geração nascida em território libanês. Mas eles não têm cidadania. Pior, não podem trabalhar em uma série de profissões. Grande parte, especialmente os jovens, passa os dias dentro dos campos de refugiados. Alguns nasceram e morreram nesses campos sem nunca terem conhecido a terra onde suas famílias viveram por séculos e sem poder dizer que eram do Líbano, onde passaram quase todas as suas vidas.

Há quatro possibilidades para esses palestinos e não são eles que vão escolher o que deve acontecer. A primeira é permanecer o cenário atual, onde eles são uma subclasse.

A segunda seria eles retornarem para a terra de onde eles ou suas famílias vieram, que hoje é o Estado de Israel. Provavelmente, as vilas e casas onde esses palestinos, seus pais e avós viviam não existem mais ou têm um israelense dentro. Essa possibilidade dependeria de um acordo de paz que incluísse o direito de retorno. Israel pode sair de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia, como até mesmo Ehud Olmert disse. Mas a opinião pública israelense, em sua maioria, assim como os governantes, jamais aceitaria o retorno de milhões de refugiados que colocariam em risco o caráter judaico de Israel.

A opção três permitiria que os palestinos recebessem a cidadania libanesa. Porém os libaneses – e mesmo muitos palestinos – dizem que isso eliminaria a responsabilidade de Israel e seria a aceitação de que eles concordam que nunca mais voltarão para as suas terras. Além disso, a maioria dos 400 mil refugiados palestinos, que equivalem a 10% da população do Líbano, é sunita. A naturalização deles colocaria em risco o equilíbrio sectário entre xiitas, cristãos e sunitas. Atualmente, nem mesmo os sunitas defendem dar de cidadania aos palestinos.

A quarta implicaria na concessão de uma espécie de “green-card” para os refugiados palestinos. Eles teriam direito de trabalhar, estudar e morar em qualquer lugar do Líbano, apesar de não possuírem direitos políticos – similar ao que os Estados Unidos fazem com imigrantes legais.

Por enquanto, os governantes libaneses não colocam a questão dos palestinos como uma das prioridades da agenda política.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.