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Para Brics, Irã é parceiro comercial; para EUA, Sauditas e Israel, inimigo mortal

gustavochacra

14 de fevereiro de 2014 | 13h11

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Caso o Irã adquira armamentos nucleares, Israel, EUA, Arábia Saudita e Bahrain se sentirão ameaçados. Faz sentido. No aniversário da Revolução Islâmica de 1979, realizado na semana passada, há gritos de “morte aos EUA” e celebrações queimando a bandeira israelense. Riad, por sua vez, está no lado oposto ao Irã na Síria, Iraque, Bahrain e Líbano.

Ao mesmo tempo, China, Índia, Rússia e Brasil (BRICS) não são ameaçados pelo Irã. Chineses e indianos querem comprar petróleo. Os brasileiros querem vender comida. E os russos são aliados regionais de Teerã, especialmente na Síria.

Os europeus estão no meio da caminho. Alguns se sentem um pouco ameaçados pelo Irã. Outros querem comprar o petróleo iraniano.

Mas, se olharmos com mais precisão, veremos que o custo para Israel, EUA e Arábia Saudita se o Irã tiver armamentos nucleares será bem maior do que os benefícios para os BRICS realizando comércio com os iranianos. Por este motivo, as crescentes rodadas de sanções obtiveram sucesso.

O Irã, porém, é quem enfrenta o maior desgaste com o cenário atual. Caso opte por suspender seu programa nuclear, terá imediatamente o benefício do comércio com os BRICS. Por outro lado, se sentirá humilhado por ter cedido para americanos, israelenses e sauditas.

O acordo definitivo, portanto, apenas terá sucesso se o Irã for convencido de que não está sendo humilhado. Como isso pode ocorrer? Existem duas possibilidade. A primeira seria Israel abdicar de suas armas atômicas, o que não irá ocorrer, pois esta é a única forma de os israelenses manterem seu poder de dissuasão diante de enormes ameaças externas.

A segunda seria mostrar que o Irã é uma nação poderosa como Brasil, Turquia, Japão e Alemanha, mas, como estas quatro, optou pela via pacífica, não nuclear, diferentemente de Rússia, EUA, França e Grã Bretanha.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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