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Para cada 3 libaneses, há um refugiado sírio ou palestino vivendo no Líbano

gustavochacra

03 de novembro de 2013 | 20h59

Andar de carro pelo Vale do Beqaa nos dias de hoje se transformou em uma experiência bem além das tradicionais visitas à vinícolas de Ksara e Kfraya, dos almoços na beira do rio Bardauni em Zahle, de passeios pelas ruínas romanas de Baalbek ou das visitas para conhecer as vilas de antepassados.

Ao longa de suas estradas na terra mais fértil de todo o Oriente Médio, podemos ver dezenas de campos de refugiados sírios. Crianças de até 8, 10 anos vivem com suas mães em tendas cercadas por lixões. Um cenário triste para uma região famosa pelas suas vilas multi-religiosas, plantações e montanhas nevadas. Nestes campos, quase não vi homens. Eles estão na Síria trabalhando, cuidando de suas coisas ou mesmo lutando na Guerra Civil. Alguns, circulam pelo Líbano em busca de ganhar dinheiro.

Devido à permanência indefinida por décadas de refugiados palestinos, o Líbano não permitiu o estabelecimento de acampamentos da ONU, temendo que os sírios também  permaneçam definitivamente no país.

Em Beirute, está a classe média síria. Muitos sírios começam a abrir negócios ou disputar empregos com os libaneses. No Corniche, o tradicional calçadão à beira do mar na capital libanesa, parecia haver mais sírios do que libaneses. Bastava observar as placas dos carros estacionados.  O cenário era totalmente distinto do de outras vezes que estive aqui, incluindo junho.

No Líbano, vivem 4 milhões de habitantes libaneses, 500 mil refugiados palestinos e 1 milhão de refugiados sírios. Não acredito que exista no mundo uma nação possuindo proporcionalmente um número maior de refugiados. 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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