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Para EUA, o pior de um ataque de Israel ao Irã seria o aumento no preço da gasolina

gustavochacra

03 de março de 2012 | 16h40

Eleições nos EUA 2012

no twitter @gugachacra

Quando me perguntam se Barack Obama vencerá a eleição, respondo que certamente se Rick Santorum for o candidato republicano. O homofóbico ex-senador da Pennsylvania vive no século 19. A revista Foreign Policy até fez uma brincadeira com declarações dele que podem ser confundidas com as do aiatolá Khomeini. Trata-se de um extremista religioso totalmente fora de sintonia com a realidade.

Caso o candidato seja Mitt Romney, e Ron Paul não opte por uma candidatura independente, Obama corre mais riscos dependendo da sensação econômica nos swing states na época da eleição. E entendam por swing states aqueles Estados onde não há um predomínio claro do Partido Democrata ou Republicano. A Flórida e Ohio são dois exemplos.

Hoje, a taxa de desemprego, apesar de elevada, está diminuindo. A economia também esboça sinais de um frágil crescimento. O índice de confiança do consumidor está em alta. Basicamente, a sensação econômica é positiva, favorecendo Obama. Mas faltam nove meses até a votação.

Neste período, Israel pode atacar o Irã. Sem entrar na questão militar e de política externa, certamente o preço do barril de petróleo crescerá. Automaticamente, a gasolina ficará mais cara nos postos dos EUA. E os americanos são muito sensíveis a altas no custo com combustível. Naturalmente, Obama será considerado o culpado.

Romney, um dos mais bem sucedidos executivos do mercado financeiro da história dos EUA e com um impressionante currículo acadêmico (MBA e JD em Harvard) e público (governador de Massachusetts), passaria a ser visto como a salvação.

Por este motivo, no encontro desta segunda-feira com Benjamin Netanyahu, o presidente dos EUA tentará mais uma vez convencer o premiê israelense a não atacar as instalações nucleares iranianas. Caso contrário, sua reeleição corre riscos. Mas talvez o líder de Israel não se importe mesmo com o democrata fora da Casa Branca. Aliás, se fosse americano, Bibi certamente seria o escolhido como candidato das primárias republicanos. Conservador em questões fiscais e um falcão em segurança nacional.

Obs. Alguns podem dizer que a ameaça de ataque de Israel já eleva o preço. Certamente. Mas o ataque em si provocaria um cenário de incerteza tão grande que faria o valor do barril disparar.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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