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Para que uma pessoa quer ter um fuzil AR15?

gustavochacra

20 de dezembro de 2012 | 15h15

Nunca tive arma. Meu pai e meus irmãos, tampouco. Outras pessoas que conheço, inclusive meu avô materno, porém, optaram por ter. Algumas para garantir a própria segurança, outras para caçar e até mesmo para colecionar. No Brasil, desde que tenha porte de armas, não há problemas.

Nos EUA, existe a Segunda Emenda da Constituição, que prevê o direito de portar armas. Na época da sua criação, os armamentos disponíveis eram distintos dos de hoje. Tampouco era possível para a polícia e as Forças Armadas darem a segurança de todo o território. Ao ir para o oeste, um americano precisava da arma para se defender.

Hoje, em alguns Estados do país, dá para comprar um fuzil como uma AR15 até mesmo na internet ou em um supermercado. Honestamente, acho errado, embora entenda quem discorde de mim. Não vejo nada de anormal em alguém querer um rifle para caçar ou mesmo uma pistola comum para se defender, apesar de jamais de ter a vontade de adquiri-las. Mas para que ter uma AR15, que é uma arma de ataque?

No New York Times de hoje, um usuário de uma AR15 diz que gosta da sensação de destruir uma melancia com tiros, pois reduziria o seu nível de stress. Não duvido. Mas será que não daria para ele se divertir em um clube de tiro disparando com segurança contra alvos específicos?

Os defensores do direito às armas de ataque (note, eu diferencio uma AR15 de uma pistola comum) argumentam que o atirador de Newtown poderia ser impedido se os professores ou os diretores possuíssem armas. Será? Outro dia, policiais treinados feriram cinco pessoas civis inocentes ao matarem um assassino em fuga. Imaginem o estrago de um amador.

Também afirmam que, mesmo com a proibição, ataques como os de Newtown aconteceriam de qualquer maneira. Neste ponto, concordo 100%. Basta ver o episódio de Oslo, na Noruega, onde há enorme restrição, onde um imbecil matou mais de 70 pessoas. Mas o país escandinavo, como bem colocou Nicholas Kristoff no New York Times de hoje, tem em um ano o número de mortes que acontece em oito horas nos EUA.

O correto, na minha opinião, seria voltar ao período entre 1994 e 2004, quando havia restrição a armas de ataque e na quantidade de balas em um pente. Outros armamentos, como rifles e revólveres, poderiam ser negociados com maior fiscalização. De resto, os EUA têm 300 milhões de armas e 300 milhões de habitantes.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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