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Parte 1 da Série Mentiras sobre a Síria – “O regime de Assad é xiita (ou alauíta)”

gustavochacra

13 de setembro de 2014 | 10h21

Primeira Mentira – Síria tem um regime xiita

A Síria não tem um regime xiita, ao contrário do que afirma uma série de órgãos de informação. Aliás, a Síria quase não tem xiitas. Eles não chegam a 2% do total da população. Na verdade, 60% da população síria é árabe sunita, 10% cristã (maioria árabe, mas com minorias armênia e assíria), 10% árabe alauíta, 10% curdo sunita, 8% drusa e 2% xiita. Isso sem levar e conta que boa parte destes é secular.  Sim, o islamismo alauíta é derivado do xiita, mas possui enormes diferenças. Se fossem a mesma coisa, alauíta seria chamado de xiita, não de alauíta. E não se trata de uma vertente dos xiitas, como os salafistas dos sunitas. Alauíta é uma outra religião, normalmente liberal para os padrões da região – talvez mais liberal do que os cristianismo

Segunda Mentira – Síria tem um regime alauíta

A Síria não tem um regime comandado pela minoria alauíta que supostamente seria opressor da maioria sunita. Bashar al Assad de fato nasceu alauíta mas não é e nunca foi religioso. Tampouco seu pai, Hafez. Sequer jejua no Ramadã. Bashar, inclusive, casou com uma sunita ultra liberal, Asma, que jamais cobre a cabeça, trabalhou no mercado financeiro em Londres e se veste de jeans e All Star (fotos dela no Instagram da Presidência Síria). Além disso, os dois vice-presidentes, o ministro da Defesa, o premiê e o ministro das Relações Exteriores são sunitas

A verdade – Síria possui um regime arabista

A Síria tem um regime arabista. Até 2011, ninguém falava em religião na Síria. Era de certa forma ofensivo perguntar a religião de alguém, diferentemente do Líbano, onde esta costuma ser a primeira pergunta. Ser árabe não significa ser muçulmano. Inclusive, os cristãos ortodoxos sírios e libaneses sempre estiveram na vanguarda do “arabismo”. Os pilares de comando do governo sempre foram o Partido Baath, as Forças Armadas e a elite tradicional de Damasco e Aleppo.

Para se manter no poder, Assad sempre protegeu os interesses destes três pilares, em detrimento do restante da população. A elite de Damasco e Aleppo, historicamente, é muçulmana sunita e cristã – também havia judeus no passado. As Forças Armadas, de fato, têm proporcionalmente mais alauítas, embora em números absolutos haja muito mais sunitas. Por que? Porque a classe média sunita das grandes cidades sírias, assim como ocorre em São Paulo, não gosta de servir o Exército. Ainda assim, os sunitas são maioria no Exército

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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