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Paulistas só vão ao DOM, trabalham de helicóptero e compram apt de US$ 30 milhões em NY?

gustavochacra

11 de novembro de 2013 | 11h45

Escrevo no blog especialmente sobre Síria, Líbano, Irã, Israel, Palestina e EUA. Evito ao máximo falar do Brasil e, tirando política externa, não comento sobre Brasília porque existem pessoas muito mais capacitadas. Hoje, porém, falarei sobre um clichê que tem emergido sobre São Paulo no exterior.

Ao abrir a New York Magazine, uma revista que gosto bastante e assino, dei de cara com uma reportagem falando de São Paulo. O texto busca ser positivo.  Mas insiste no clichê de que paulistas vão ao trabalho de helicóptero e outros adquirem apartamentos de US$ 30 milhões em Nova York.

Semanas atrás, o Sunday Styles do New York Times – um caderno bem abaixo do padrão do restante do jornal – disse que brasileiros gostam de fazer festas em Nova York, incluindo algumas “Super Bowl Parties” de brasileiros, no Plaza Athenee. O restaurante DOM, do Alex Atala, como sempre, aparece em quase todos os artigos sobre a capital paulista.

Mas vamos aos fatos. Quantas pessoas vão ao trabalho de helicóptero em São Paulo? Dez em uma população de 20 milhões? Vá lá, 30? Dá para dizer que esta seja uma característica da cidade onde milhões enfrentam o trânsito em seus carros ou em ônibus diante de um metrô moderno, mas ainda com poucas linhas?

 E apartamentos de US$ 30 milhões em Nova York? São raras as unidades neste valor na cidade. Um apartamento de padrão bom, de dois quartos, em uma área bem localizada, custa US$ 3 milhões em Manhattan. Portanto é um tremendo exagero dizer que paulistas pagam um valor dez vezes maior. Talvez, dois ou três paulistas. Mas e qual o problema? O que isso quer dizer sobre São Paulo? Russos, Mexicanos, Colombianos, Chineses, Franceses, Alemães e Americanos também pagam este preço.

Festa de Super Bowl no Plaza Athenee foi a pior de todas. Simplesmente, não vejo como pode ter ocorrido. Existem muitos brasileiros que adoram futebol americano. Existem também alguns que ficam hospedados neste hotel. Mas acho extremamente improvável que ocorram festas de Super Bowl no Plaza Athenee. Os brasileiros que gostam de futebol americano certamente prefeririam assistir ao jogo em casas de amigos, em Sports Bar e muito provavelmente na companhia de americanos.

O Atala tem seu mérito. Críticos do mundo todo o elogiam e recebeu inúmeros prêmios. Honestamente, embora meus pais morem perto do DOM, nunca fui ao restaurante e não tenho condições de avaliar. Tendo a acreditar que ele realmente seja genial. Mas será que não dá para falarem um pouco de outros restaurantes e curiosidades da culinária paulistana? Só nesta semana, o DOM está na Time e na New York Magazine.

Desculpem o desabafo e em breve retorno com mais comentários sobre Irã, Síria, EUA e outros temas de política internacional.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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