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Perguntas e Respostas para entender a violência no Egito

gustavochacra

30 de janeiro de 2015 | 13h20

Aos menos 30 pessoas morreram em atentados contra bases militares e policiais do Egito no Sinai hoje. Um grupo que declarou lealdade ao ISIS (Grupo Estado Islâmico ou Daesh) reivindicou a operação.

Há uma escalada na violência no Sinai?

A Península do Sinai tem sido alvo de terrorismo há mais de dez anos, bem antes de Hosni Mubarak ser deposto em 2011. Nos últimos meses, porém, houve um recrudescimento em ataques de grupos extremistas contra alvo militares no Sinai.

O que Sissi, líder egípcio, tem feito para conter a violência?

O regime do Egito, maior aliado de Israel na região, implementou uma série de ações de contraterrorismo no Sinai. Na fronteira com Gaza, por exemplo, está criando uma buffer zone de cerca de 1 km, destruindo centenas de casas na cidade de Rafah. O objetivo é eliminar túneis que levem ao Hamas e também frear os grupos radicais do Sinai. Não necessariamente o Hamas é aliado a estas organizações.

Sissi também reprime opositores pacíficos?

Sim, o atual regime do Egito não tolera qualquer forma de oposição, mesmo protestos pacíficos. Há poucos dias, as forças de Sissi mataram 18 pessoas no Cairo. O regime também levou adiante uma série de massacres desde quando depôs Mohammad Morsy.

E a Irmandade Muçulmana?

Os principais líderes da organização estão presos, sem qualquer forma de comunicação. O grupo foi para a clandestinidade. O regime de Sissi acusa a Irmandade de terrorismo, mas não há provas neste sentido.

Sissi foi eleito democraticamente?

Sim, foi eleito. E desfruta de enorme popularidade. Parcela da população egípcia o apoia pois teme o caos que se instalou no país após a queda de Mubarak e no período que se seguiu à chegada da Irmandade no poder. Alguns, porém, acham que a repressão é excessiva e o hoje a violência do regime supera a dos tempos de Mubarak.

A Irmandade ainda tem apoio?

Sim, de uma importante parcela da população. Mas, sem a cúpula que está presa, há um risco de radicalização da organização ou do fortalecimento de grupos radicais que levem adiante mais atentados.

 Qual a posição dos EUA?

O governo Obama condenou inicialmente a violenta repressão do regime de Sissi. Aos poucos, porém, as relações começam a se normalizar, com o Egito recebendo a sua mesada.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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