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Perguntas sobre as supostas deserções de generais na Síria

gustavochacra

14 de março de 2012 | 11h17

no twitter @gugachacra

No sábado, a Anatólia (agência estatal turca) divulgou a informação de que quatro generais sírios teriam desertado. Os nomes não foram divulgados para garantir a segurança das famílias e a fonte era, supostamente, um porta-voz da oposição síria. Jornais e TVs do mundo inteiro publicaram a notícia, atribuindo ao órgão turco.

Passados cinco dias, não apareceram informações destes generais (basta dar uma busca no Google e todas as notícias relacionadas a eles são do sábado). Ninguém os entrevistou e os nomes ainda são um mistério. Obviamente, uma hora destas, o regime do Assad já saberia quem são eles e as famílias correriam risco de qualquer maneira.

Além disso, o general Moustafa al-Shaikh realmente desertou em janeiro e não viu problemas em ter seu nome divulgado. Ao contrário, até ganhará força como líder em uma Síria pós-Assad.

Minhas dúvida são – Estes quatro generais realmente desertaram? Se sim, onde estão e por que ainda não apareceram?  Se não, quem criou a mentira? Membros da oposição, para tentar mostrar fraturas no regime? Ou o próprio regime para, posteriormente, dizer internamente nas TVs sírias que os opositores mentem, como já ocorreu no passado?

Pediria aos leitores que, por favor, me ajudem com estas respostas.

Até agora, sabemos que o regime de Assad cometeu crimes contra humanidade, segundo a ONU. Seu governo consegue aos poucos se equiparar à Junta Militar da Argentina, faltando apenas o seqüestro de recém nascidos, se é que estes já não começaram. Mas precisamos prestar atenção na oposição, que não é algo homogêneo. Há pessoas genuinamente pró-democracia com o sonho de transformar a Síria em um Canadá. Outros, por sua vez, têm interesses suspeitos.

A crise síria é uma das mais difíceis de se cobrir. O conhecimento do país é pequeno, diferentemente do que acontece entre Israel e Palestino. Jornalistas e analistas conhecem bem a personalidade de autoridades israelenses e palestinas. Mas quase ninguém entende bem o regime ou os opositores. Mesmo em Beirute, as pessoas enfrentam dificuldades para compreender o país vizinho.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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