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O programa nuclear afeta o pistache no Irã

gustavochacra

03 de abril de 2013 | 12h52

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A inflação no Irã atinge 30% ao ano e este número pode ser ainda maior se for levado em conta certos produtos importados comercializados no mercado negro que não entram na contabilidade. Aos poucos, a situação começa a fugir do controle do governo, alvo de duras sanções impostas pela comunidade internacional, além de outras medidas restritivas adotadas pelos EUA e seus aliados.

O pistache, consumido em larga escala no país, viu seu preço subir de US$ 8 para US$ 17 o quilo, segundo reportagem da Associated Press. Um movimento interno  no Facebook levou a um boicote deste alimento no Irã durante as festividades do Now Ruz, que começaram no dia 21 de março – este dia serve para marcar o ano novo persa. Eles protestam contra os elevados preços. A culpa seria em parte da administração e em parte de efeitos colaterais das sanções, que não atingem diretamente o pistache. Mas este sofre com o efeito cascata em toda a economia do embargo ao petróleo e dos negócios com o Banco Central.

Já o programa nuclear, segue intocado no Irã. Isso nos leva a perguntar se as sanções não afetam apenas a população, sem mudar os cálculos dos regimes. Insisto para que me mostrem um caso onde sanções funcionaram. E eu posso provar o inverso com a Coreia do Norte e mesmo o regime de Teerã.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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