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Por que a Arábia Saudita não ataca o Irã de uma vez?

gustavochacra

03 de março de 2016 | 11h42

A Arábia Saudita decidiu punir o Líbano porque o país levantino decidiu manter a sua balança sectária em vez de ser refém do regime mais extremista do mundo, que difunde a ideologia wahabbita utilizada pelos grupos terroristas Al Qaeda, ISIS (Grupo Estado Islâmico ou Daesh), Al Shabab, Taleban e Boko Haram.

Primeiro, o regime saudita suspenderá a ajuda militar de US$ 3 bilhões ao Líbano. Direito deles. Até deve ser porque andam mal das pernas com o preço do petróleo despencando. Em segundo lugar, tem ameaçado expulsar os libaneses que trabalham na Arábia Saudita. Não sei se o farão, pois há pouco material humano com a capacidade linguística dos libaneses, fluentes em árabe, inglês e francês, no mundo. Por último, impedirão seus cidadãos de viajarem ao Líbano. Como diz o New York Times, ficarão sem as praias, mediterrâneas, as montanhas nevadas e a vida noturna libanesa. Azar o deles.

O argumento do regime saudita é o de que o Líbano, basicamente, deveria adotar o lado da Arábia Saudita no conflito deles contra o Irã. O Líbano, por sua vez, optou por manter a neutralidade, por ser uma nação multireligiosa, com cristãos, xiitas e sunitas. Agora, a Arábia Saudita acusou o Hezbollah de terrorista e exigem que o Líbano obrigue o grupo, que luta contra a Al Qaeda e o ISIS, a deixar a Guerra da Síria.

Na verdade, os sauditas estão preocupados porque os principais grupos cristãos libaneses, por questões políticas, se aliaram ao Hezbollah, parceiro do Irã, neste momento em busca da estabilidade. Os sauditas não aceitam. Querem mandar no Líbano e possuem dificuldade em entender nações multireligiosas.

Se odeiam tanto o Irã, por que não bombardeiam Teerã em vez de atacar Beirute? Porque o regime saudita é covarde. Até onde eu sei, Beirute é capital do Líbano, não do Irã.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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