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Por que a multicultural Haifa é um bastião contra intolerância xenófoba?

gustavochacra

22 Junho 2016 | 13h00

O mundo desenvolvido tem se polarizado cada vez mais entre populistas xenófobos de um lado e defensores de liberdades individuais e multiculturalismo do outro. Esta divisão é mais visível na Europa, embora também possa ser observada em Israel, Canadá, Austrália e EUA. A tradicional divisão de viés mais econômico entre direita e esquerda perdeu um pouco de força. O premiê David Cameron, conservador, se aliou a muitos trabalhistas no referendo da União Europeia. Donald Trump, republicano, está à esquerda de Hillary Clinton em economia.

O Brasil não se encaixa tanto neste perfil porque o chamado “centrão” domina a política do país independentemente dos debates acirrados nas redes sociais, como observaremos neste post.

Como acompanho mais o Oriente Médio, Israel serve para mim de exemplo clássico desta divisão. Caso a pessoa visite um assentamento na Cisjordânia e mesmo determinadas áreas de Jerusalém, pode sair com uma imagem de que Israel é uma nação xenófoba. O cenário pode se agravar ainda mais ao assistir um jogo dos extremistas do Beitar Jerusalem.

Mas esta imagem de Israel está errada por não refletir o que ocorre em todo o país, especialmente na costa Mediterrânea. Tel Aviv é uma das mais avançadas e liberais cidades do mundo, no patamar de San Francisco e Londres. Haifa, então, nem se fala. Se fizessem um ranking sobre harmonia entre diferentes religiões, Haifa possivelmente estaria em primeiro lugar e seria campeã mundial. Judeus (orientais e do Leste Europeu), cristãos, muçulmanos, drusos, baha’i, ateus e mesmo religiosos conservadores convivem em paz e total prosperidade. Tem também pessoas com origem palestina, marroquina, argentina, americana, polonesa, russa e de quase todo o globo. O multiculturalismo de Haifa demonstra como a garantia das liberdades individuais e o respeito às diferenças superam a xenofobia populista.

Por este motivo, fiquei muito honrado ao receber de presente do meu amigo Fabio Szperling uma camisa do Maccabi Haifa, um dos grandes times de futebol de Israel, após a minha palestra no Clube Hebraica no domingo. Tanto na Hebraica, em evento da Federação Israelita de São Paulo, como no Buffet França, em debate organizado pelas entidades judaicas Shamash e Naamat de São Paulo, fiz questão de citar a importância simbólica de Haifa – e de Beirute, no caso do mundo árabe.

O Maccabi Haifa tem 5 jogadores de origem árabe no elenco atual. Portanto eu estou longe de ser o primeiro “árabe” a vestir a camisa do time. Já Beitar Jerusalem se recusa a contratar árabes-israelenses. Esta é a diferença. Sou mais Haifa. Assim como, nos EUA, sou mais Nova York.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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