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Por que a ofensiva de Netanyahu no Congresso dos EUA é anti-Obama, não anti-Irã?

gustavochacra

21 de julho de 2015 | 10h14

A ofensiva no Congresso dos EUA de Israel e de outros grupos que se opõem ao acordo entre as grandes potências mundiais e o Irã na área nuclear não conseguirá reverter um fato consumado. Apenas servirá para deteriorar ainda mais a relação entre o governo americano e o israelense e a dar voz para a linha dura iraniana.

Apenas para entender, o Congresso dos EUA, em setembro, votará para rejeitar ou aprovar o acordo negociado pela administração de Barack Obama e os demais membros do Sexteto (Rússia, China, França, Reino Unida e Alemanha) com o Irã, no qual são impostas uma série de restrições ao programa nuclear iraniano, deixando o regime de Teerã distante da bomba atômica. Em troca, serão retiradas sanções impostas aos iranianos. Caso o acordo seja rejeitado pelo Congresso, Obama já deixou claro que vetará a rejeição dos parlamentares americanos.

Para derrubar o veto, serão necessários dois terços dos votos na Câmara dos Deputados e no Senado, o que é extremamente improvável, embora não impossível. Ainda que o veto seja derrubado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução ontem apoiando o acordo com o Irã. A União Europeia também já determinou a retirada de sanções. O Congresso dos EUA, no máximo, conseguiria manter as sanções americanas, mas estas não seriam respeitadas por nenhuma grande potência mundial, o que isolaria os americanos. Ninguém é obrigado a apoiar o acordo. Mas é algo que já existe e a melhor estratégia é fazer o máximo possível para que o acordo seja respeitado, com a comunidade internacional trabalhando em conjunto.

Se o Irã desrespeitar os termos do acordo, o que não é impossível, imediatamente as sanções serão retomadas, como prevê a resolução do Conselho de Segurança da ONU. As ações para tentar convencer o Congresso são, portanto, ações anti-Obama, e não ações anti-Irã. Afinal, se bem sucedidas, darão voz para a linha dura iraniana, isolarão os EUA, enfraquecerão o presidente americano e, para completar, não impedirão o acordo de ser implementado pelo resto do mundo. Se não for, os EUA, e não o regime de Teerã, serão considerados culpados pela China, Rússia, Índia e mesmo o Brasil e as potências europeias.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires Comentários islamofóbicos, antissemitas, anticristãos e antiárabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco são permitidos ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista Acompanhe também meus comentários no Globo News Em Pauta, na Rádio Estadão, na TV Estadão, no Estadão Noite no tablet, no Twitter @gugachacra , no Facebook Guga Chacra (me adicionem como seguidor), no Instagram e no Google Plus