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Por que a Olimpíada desvaloriza os esportes coletivos e prejudica o Brasil?

gustavochacra

13 Agosto 2016 | 13h19

A Olimpíada valoriza mais em distribuição de medalhas os esportes individuais. Os esportes coletivos têm um peso bem menor. Na natação, por exemplo, são distribuídas 34 medalhas de ouro. No atletismo, 47. No judô, são 14. No tiro, 15.

Por outro lado, no futebol, são apenas duas (uma para o masculino e outra para o feminino). O mesmo vale para o vôlei, basquete, handball, rugby, polo aquático e hóquei na grama.

Logo, nações como o Brasil, Argentina, Croácia e Sérvia, com desempenho bom em esportes coletivos, mas ruim nos individuais, acabam por ter uma performance abaixo da de nações focadas em modalidades que distribuem mais medalhas, como a Jamaica no atletismo, e Cuba no boxe, por exemplo – os EUA e França são bons tanto nos coletivos como nos individuais.

A Argentina, na Olimpíada de 2004, conquistou o ouro no futebol e no basquete masculinos. No quadro de medalhas, terminou em 38 lugar, com duas medalhas de ouro, junto com o Uzbequistão, que levou duas de ouro na luta greco-romana. É absurdo. Os argentinos venceram em esportes que têm 11 e 5 atletas respectivamente atuando o tempo todo. Esportes que são literalmente os dois mais populares do mundo.

O correto seria dar medalhas de acordo com o número de atletas participantes. O Uzbequistão manteria seus dois ouros. Mas a Argentina deveria ter recebido 11 medalhas de ouro pelo futebol e cinco pelo basquete. Ao todo, 16. Terminaria entre os primeiros colocados na Olimpíada.

Alguns argumentarão que o sistema atual valoriza esportes que precisam de mais apoio. Sim, é um argumento. Mas não sei até que ponto natação, atletismo e judô possuem menos apoio do que polo aquático, handball, hóquei na grama e até mesmo futebol feminino (com a exceção dos EUA, neste último caso).

Marta e as meninas do futebol têm tudo para conquistar um ouro inédito. Mas valerá apenas “uma medalha”. Convenhamos, está errado. A conquista vale 11 ouros.

Sei que este meu texto não levará a nada. Mas é uma defesa da valorização do esporte coletivo. Atuar em times nos ajudam muito. Aprendi bastante e levo para a minha carreira profissional ter jogado esporte coletivo – no caso, polo aquático.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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